Lideranças do setor rural avaliam que as últimas ações do MST e Via Campesina no Paraná representam fato novo na questão agrária e criam um confronto direto com os representantes dos ruralistas. As maiores críticas recaem sobre o acampamento de sem-terra montado em frente à Fazenda Santa Rita, em Santo Antônio da Platina (norte pioneiro), de propriedade do deputado federal Abelardo Lupion (PFL) - que é presidente da Comissão de Agricultura da Câmara Federal.
De acordo com o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, a ação contra Lupion visa ''atentar contra um homem público que reconhecidamente reprova a atuação dessa gente e tem a coragem de enfrentá-la''. ''São os baderneiros de sempre, da mesma turma que invade centros de pesquisa, e que agora querem se vingar de uma das mais importantes lideranças rurais no Congresso Nacional.''
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Lopes Kireef, também acredita que a ação na Fazenda Santa Rita é uma novidade e ''não faz parte de luta pela terra''.''Trata-se de uma abordagem de pressão sobre uma liderança. É uma forma de posicionamento muito enfática que traz uma carga enorme de ataque ao setor'', afirmou Kireef.
O presidente da Rural avalia que os produtores devem procurar ''os aparelhos que a sociedade democrátiva organizada tem para proteger seus direitos''. A entidade marcou uma reunião com representes do Ministério Público para o próximo sábado pela manhã. ''Nós convidamos o procurador que atua na questão da terra para conversar. Temos interesse em chegar às ferramentas que garantam o retorno à normalidade. Queremos providências'', cobrou.
Questionado sobre a invasão da Fazenda 3J, em Guaravera, de propriedade do deputado federal José Janene (PP), o líder ruralista acredita tratar-se de uma ação que visa ''outros objetivos''. ''Pelas próprias palavras dos líderes do movimento, ali é um protesto muito mais amplo contra a política. Eles expressaram a opinião sobre isso de maneira muito clara.''

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