Brasília - A demora do governo na indicação do novo ministro da Agricultura reabriu a disputa pelo cargo dentro do PMDB; mobilizou a bancada ruralista, envolveu o ex-ministro Roberto Rodrigues na briga pela função e ainda pôs em confronto os governadores do Paraná, Roberto Requião (PMDB), e do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). A indicação do deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR), que até a véspera era dada como certa na administração federal e no partido, foi reduzida ontem à condição de simples ''hipótese'', depois de ser bombardeada pelos ruralistas.
Com a movimentação dos vários setores da legenda e dos deputados que participam da Frente Parlamentar da Agropecuária e do Cooperativismo, quem ficou sob pressão foi o presidente nacional da sigla, deputado Michel Temer (SP). Temer e o líder da bancada na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), passaram o dia à espera de um chamado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para definir o nome do novo ministro. Até o início da noite de ontem, no entanto, o Poder Executivo não lhes mandara sequer um sinal de que Lula os receberia.
''Essa demora na escolha abre espaço para o jogo de pressão porque a bancada tem vários candidatos e é natural que todos se articulem'', queixou-se Alves, ao observar que esse jogo é ruim para a agremiação e o Executivo. ''Não queremos que o presidente Lula sofra isso (a pressão) porque ele foi correto com o partido. Então, quanto mais rápido acontecer a definição, melhor'', completou.
Diante da indefinição, o deputado Odacir Zonta (PP-SC), da bancada ruralista, levantou a hipótese de o PP entrar na briga pelo comando da Agricultura. Na verdade, porém, Zonta não falou em nome de toda a bancada. Afinal, a cúpula do partido deixou claro que a legenda está satisfeita com o Ministério das Cidades. O que eles querem agora, e avaliam que tem o peso de um segundo ministério, é a Diretoria de Abastecimento da Petrobras.
Foi um dia difícil para Stephanes. Não bastasse a articulação suprapartidária dos deputados da Comissão de Agricultura para derrubá-lo, temerosos da influência de Requião e da política dele contrária aos transgênicos sobre Stephanes, Rodrigues e Maggi também trabalharam para emplacar outro deputado na pasta.
Os ruralistas, que querem um representante da bancada no comando Agricultura, bateram à porta do presidente nacional do PMDB e sugeriram que ele levasse os nomes de três peemedebistas à Presidência da República: os deputados Waldemir Moka (MS), Moacir Micheletto (PR) e Valdir Colatto (SC). Já o ex-ministro da Agricultura e o governador do Mato Grosso do Sul atuaram, diretamente, na Presidência. Rodrigues e Maggi telefonaram para Lula em defesa da indicação de Micheletto, que também conta com o apoio dos segmentos organizados do agronegócios e das entidades do setor, como a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Sem alternativa, Temer comprometeu-se a levar a sugestão ao presidente.

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