Ruralista tem informantes no MST
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quinta-feira, 21 de abril de 2005
Andréa Bordinhão eAndréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da União Democrática dos Ruralistas (UDR) na região Noroeste do Paraná, Marcos Prochet, declarou que receber informações de pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Tera (MST). A afirmação foi feita no início da semana durante depoimento aos membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra, em Curitiba. Em sua passagem pelo Estado, a CPMI ouviu ainda
''São pessoas que dão informações para nós porque estão insatisfeitas com o próprio MST e não infiltradas por nós. E como representante da UDR eu recebo as informações. Esssas pessoas não são remuneradas'', afirmou. Porém nenhum deputado ou senador questionou o presidente da UDR sobre o tipo de informações que recebe. À imprensa, Prochet alegou que recebe denúncias de desvio de dinheiro dentro do movimento, entre outros atos ilícitos. Mas negou que saiba antecipadamente de invasões.
A CPMI da Terra criada em março de 2004 com objetivo de fazer um diagnóstico da questão fundiária no País esteve no Paraná para obter informações sobre a atuação de milícias armadas. Os parlamentaes ouvirão novamente em sessão secreta o superintendente da Polícia Federal (PF), Jaber Makul Hanna Saadi, e o tenente-coronel, Valdir Copetti Neves, preso sob suspeita de chefiar um grupo armado que atuaria contra os sem-terra.
Em depoimento, Prochet alegou que conhece o tenente-coronel Valdir Copetti Neves apenas por causa de algumas reitegrações de posse nas quais acompanhou o trabalho da polícia. O presidente da UDR negou ter conhecimento do uso de milícias armadas por qualquer fazendeiro do Paraná.
O representante episcopal da Comissão Pastoral da Terra do Paraná (CPT-PR), e bispo auxiliar de Curitiba, dom Ladislau Biernaski, que também depôs como convidado na CPMI da Terra, entregou aos parlamentares um dossiê intitulado ''Cronologia da Violência'' com informações sobre os conflitos agrários no Paraná nos últimos 15 anos. O documento teria denúncias do envolvimento de Copetti Neves e de Prochet. Dom Ladislau afirmou que está ''otimista'' com os trabalhos da CPMI, mas que tem receio de que seus integrantes ''tendam a incriminar os movimentos sociais''.
O proprietário rural e empresário Cecílio do Rego Almeida também depôs à CPMI. Ele esclareu dúvidas dos deputados e senadores sobre sua propriedade de quase 6 milhões de hectares no Pará.


