Lideranças rurais paranaenses criticaram ontem a decisão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado de adiar a autorização para o governo paranaense contratar empréstimo internacional de US$ 175 milhões para o programa Paraná 12 Meses. ‘‘O Paraná tem 500 mil propriedades rurais, 80% das quais com até 20 alqueires, que deixarão de ser atendidas sem o empréstimo’’, disse o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Neco Garcia Cid.
O bloqueio do empréstimo no Senado foi provocado pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), que alega que o Estado não teria capacidade financeira para o endividamento junto ao Banco Mundial. Além disso, Requião quer barganhar: em troca da autorização para o empréstimo, ele exige informações sobre os acordos com a Renault e Chrysler, para a instalação de fábricas dessas montadoras no Paraná.
‘‘Todos, inclusive o senador Requião, aprovamos o Paraná 12 Meses e não tenho dúvidas de que o empréstimo será aprovado nos próximos meses’’, contemporizou o deputado estadual Orlando Pessuti (PMDB), líder do bloco agropecuário na Assembléia Legislativa. ‘‘Não houve rejeição do empréstimo, mas um pedido de informações complementares pelo senador, apoiado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado’’, completou. O empréstimo do Banco Mundial visa financiar iniciativas do governo na área rural, como a readequação de estradas, construção de vilas rurais e diversificação de culturas, entre outros, através de parcerias com prefeituras, sindicatos, associações e cooperativas rurais.
Neco Garcia Cid disse que a atitude de Requião foi ‘‘primária’’, por não se basear em argumentos consistentes, mas apenas em interesses políticos visando ‘‘tirar do governo do Estado condições de obter recursos a baixo custo e com longo prazo de pagamento’’.
A opinião de Neco Garcia Cid é compartilhada por outras lideranças rurais, que acham que a iniciativa de adiar a autorização para ao empréstimo foi exclusivamente política e prejudica o pequeno agricultor paranaense. ‘‘É lamentável que o Senado ainda não tenha aprovado este empréstimo que vai beneficiar diretamente o pequeno produtor do Paranᒒ, disse Ágide Meneguette, presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
O presidente da Organização das Cooperativas do Paraná, João Paulo Koslovski, comentou que a infra-estrutura do campo está sucateada e é preciso um programa que invista no setor no médio e longo prazo. ‘‘O Paraná 12 Meses cumpre esta função de levar o desenvolvimento ao campo’’, avaliou.
O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Roberto Baggio, acha que a demora na liberação do empréstimo do Banco Mundial pode aumentar a crise no campo. ‘‘O colono está hoje totalmente abandonado pelo governo federal e o Paraná 12 Meses viria garantir um empréstimo subsidiado, que é a principal necessidade atual do agricultor’’, afirmou Baggio.

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