Militante de grupos identificados com as ideias do Presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) desde 2013, o profissional de relações públicas Sílvio Melo, conhecido nas rede sociais como "Shil Luiz" é o responsável por organizar nada menos do que 48 excursões com destino à posse presidencial, em Brasília (DF). Natural de Santa Cruz do Sul (RS) e morador de Maringá, Shil afirma que contou com a ajuda de outras 27 pessoas espalhadas em cidades como Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Balneário Camboriú (SC), Campinas (SP), São Paulo e Rio de Janeiro para reunir tanta gente, independentemente do apoio de partidos políticos.

"Todos nós estamos indo com dinheiro nosso, sem apoio de ninguém. Quando pedimos apoio de políticos demos com a cara na porta. Nem um post nas redes sociais colocaram. Aí é que entra a cara de pau de alguns políticos porque postar um vídeo nas redes sociais convidando não custa nada. Em época de eleição todo mundo é só sorrisos né, no geral", lamenta.

Entre o Norte do Paraná e Brasília (DF) são necessárias pelo menos 24 horas de viagem se o meio de transporte escolhido for o ônibus. É o caso do que partiria cedo neste domingo (30) de Maringá. Se a rota escolhida passar por São José do Rio Preto (SP) e Goiânia (GO), vão ser pelo menos 1.200 quilômetros onde o assunto não deve outro a não ser o cenário político nacional.

De acordo com o organizador a procura começou antes mesmo do primeiro turno e ganhou força com a ida de Bolsonaro para o segundo. Por conta de toda esta articulação, "Shil" afirma que algumas pessoas o questionaram sobre um suposto interesse político, negado imediatamente. "Milito desde 2013. Não tem apoio de político nem de empresário", afirma.

Assim como em Maringá, em Londrina não deve ser diferente. O presidente do PSL (Partido Social Liberal) em Londrina, o deputado eleito Filipe Barros, lembra que passou a receber ligações de londrinenses e moradores de municípios da região interessados em acompanharem de perto a cerimônia de posse logo após o resultado das eleições, em 28 de outubro.

"Em média 20 pessoas que estavam organizando pequenos grupos, ou até mesmo com suas próprias famílias, entraram em contato comigo, de Rolândia, Ibiporã, Bandeirantes e outros municípios da região", afirma.

De acordo com Barros, desde que eleito vem dividindo a rotina entre as últimas sessões da Câmara Municipal e os compromissos na equipe de transição e também na capital federal, o processo de confirmação da presença na cerimônia até mesmo para os membros do PSL envolveu muita burocracia.

"As pessoas tiveram que retirar pessoalmente os convites com os crachás e até um ticket de estacionamento com código de barras, uma burocracia muito grande em função de todas as informações divulgadas pela mídia. O convite tem foto, nome", exemplifica.

A cerimônia vai ser dividida em três etapas, tendo início no Congresso, Palácio do Planalto com a posse dos ministros e finalmente no Itamaraty. Uma "maratona" cuja expectativa desses apoiadores é de que valha cada centavo. Segundo Silvio Melo, os valores variaram entre R$ 350 e R$ 500, para as passagens e a hospedagem.

"Até tentamos entrar em contato com políticos para conseguir apoios, mas parece que depois das eleições eles não demonstraram interesse em apoiar as pessoas que os apoiaram", ratifica.

A FOLHA EM BRASÍLIA

Ao lado de equipes de reportagem de todo o Brasil e até do exterior, o jornalista e cronista da Folha de Londrina, Paulo Briguet, vai cobrir a posse no dia 1º. Para ele um fato inédito em mais de duas décadas de carreira, quando pretende traduzir o que considera "uma verdadeira alternância de Poder".

"Às vezes a linguagem jornalística pura, objetiva, não é suficiente para dar conta da verdade histórica. Então às vezes você tem que usar recursos literários, da imaginação literária para conseguir transmitir o evento na sua inteireza, eu me permiti usar esses elementos sem abrir mão do rigor factual", afirma.

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