Atlanta, Estados Unidos - O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington não participou diretamente da saída de Flavio Bolsonaro (PL) do Brasil após sua derrota eleitoral.

O presidente Donald Trump, porém, disse que o ex-candidato brasileiro poderia ficar nos Estados Unidos "por tanto tempo quanto quisesse".

Flávio, que perdeu para o presidente Lula (PT) a disputa presidencial no segundo turno das eleições de 25 de outubro, chegou aos Estados Unidos com sua família na quarta-feira, depois que a Justiça determinou a entrega de seus passaportes no âmbito de diversas investigações.

"Ele já tinha um visto anteriormente, e o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse no país", disse Rubio em uma coletiva de imprensa em Atlanta, Geórgia. "O governo dos Estados Unidos não esteve diretamente envolvido" nos arranjos feitos pelo senador e ex-candidato, acrescentou.

Participação dos EUA

O político de 45 anos deixou o Brasil passando pela Argentina e pelo Equador a bordo de uma aeronave que, segundo os jornais The New York Times e The Wall Street Journal, foi fretada por Jason Miller, assessor do presidente dos Estados Unidos.

De acordo com o diretor da companhia aérea, em declaração à AFP, o voo que levou Flávio aos Estados Unidos foi pago por um intermediário a partir de uma conta bancária americana.

Donald Trump

A Casa Branca não comentou nada sobre o voo, mas Trump classificou as eleições do Brasil como "vergonhosas".

Ao falar com jornalistas em sua residência na Flórida no sábado, Trump disse que não tinha planos de se reunir com Flávio Bolsonaro, mas demonstrou simpatia por ele.

"Acho que o trataram de uma forma muito injusta. Muito injusta, então ele pode ficar aqui o tempo que quiser", declarou o presidente.

Uma fonte diplomática brasileira, que falou à AFP sob condição de anonimato, afirmou que o representante diplomático da Argentina foi convocado para fornecer explicações sobre o voo.

Posteriormente, o ministro das Relações Exteriores da Argentina negou que o governo brasileiro tenha solicitado esclarecimentos a Buenos Aires sobre seu suposto papel na saída de Flávio Bolsonaro.

Desde sua chegada aos Estados Unidos, o ex-candidato derrotado tem afirmado ser o verdadeiro líder do Brasil e declarado que deixou o país por ser vítima de uma "perseguição".

Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpre pena de 27 anos em prisão domiciliar por planejar um golpe de Estado após perder as eleições de 2022.

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