O ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan entregou seu pedido de demissão à direção da empresa, onde atua como advogado. A Folha apurou que Pavan tenta evitar o desgate de ser demitido por justa causa, como recomendou a auditoria da Prefeitura de Londrina em um parecer encaminhado à Sercomtel em julho. O documento elaborado pelo auditor Osvaldo Alves de Lima, porém, só foi tornado público na semana passada.
Pavan é réu nos processos criminais que tratam do desvio de recursos da Prefeitura de Londrina. Em maio deste ano, ele teve a prisão preventiva decretada e só não foi recolhido a uma cela junto com o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) porque obteve o benefício da prisão domiciliar. Pavan justificou, na época, que sofria de problemas cardíacos.
A diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Telefonia (Sinttel), Nair Aparecida Ferreira dos Santos, não confirmou o pedido de demissão. A entidade é a responsável pela homologação trabalhista de seus filiados em casos de demissão. Segundo ela, na semana passada Pavan procurou o sindicato para saber de seus direitos. ''Ainda não existe nada definido sobre a demissão do doutor Rubens, a gente apenas conversou. Mas isso ainda não quer dizer que ele irá pedir demissão, visto que está prestes a se aposentar'', afirmou.
O parecer da auditoria enviado à presidência da Sercomtel atribui diversas irregularidades ao ex-presidente. Uma delas seria a contratação de funcionários sem a realização de concurso público e a promoção desses contratados. Também é mencionado um adiantamento de R$ 50 mil concedido ao ex-presidente em 1998 para tratar de ''assuntos estratégicos''. O dinheiro teria sido devolvido sem a correção monetária devida.
Pavan está viajando e não foi localizado pela reportagem. Seu advogado, Gilberto Baumann de Lima, disse ontem que desconhecia o assunto. Na semana passada, Baumann afirmou que o parecer da auditoria tem conotação política e que não haveria motivos para que Pavan fosse demitido por justa causa. O presidente da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira, não quis falar sobre o assunto. Ele se recupera de uma cirurgia na garganta.
Pavan é funcionário da Sercomtel há cerca de 20 anos e presidiu a empresa durante a gestão de Belinati. Em 98, ajudou a conduzir a venda de 45% ordinárias da Sercomtel para a Companhia Paranaense de Energia (Copel), por R$ 186 milhões. De acordo com o Ministério Público, grande parte desses recursos fomentou o esquema de corrupção em Londrina.

mockup