Rubens Bueno brigou por Lerner
Curitiba - As histórias de amor e ódio na política não ficam limitadas aos candidatos que lideram as pesquisas. Rubens Bueno que hoje pede que o Palácio Iguaçu, comandado pelo governador Jaime Lerner, ''levante o manto negro sob o qual ocultou as contas públicas do Estado nestes últimos oito anos'', rompeu com Alvaro Dias em 1997, justamente, entre outras razões, por defender o ingresso de Lerner no PSDB, tentativa que acabou saindo frustrada.
O rompimento com Lerner ficou claro quando Rubens Bueno assumiu o comando do PPS no Estado. A orientação veio de cima: o partido, que nunca assumiu uma postura mais firme com relação à política oficial, precisava se posicionar em temas relevantes como a privatização da Copel, por exemplo.
Giovani Gionédis, lernerista de carteirinha, ex-secretário-chefe da Casa Civil e ex-secretário da Fazenda, também virou de lado. Pode até ser que não critique com tanto fervor Beto Richa durante a campanha deste ano, mas o seu discurso de campanha atinge por tabela o tucano, considerado o candidato oficial. Aliado de Lerner pelo menos durante 20 anos e o homem forte do governo, hoje Gionédis diz para quem quiser ouvir que ''faltou coragem'' para que o atual governador fizesse uma reforma administrativa profunda.
Ninguém poderia ainda imaginar que o ex-secretário de Lerner poderia manter conversas tão amistosas com o PMDB de Requião, como manteve meses atrás, durante as costuras das alianças. Chegou-se a cogitar a possibilidade de o PSC e o PMDB se coligarem. O acordo, entretanto, não prosperou. Requião ficou com medo da repercussão que a costura pudesse lhe causar. O senador foi um dos mais ácidos críticos da privatização do Banestado e da antecipação dos royalties que o Paraná tem direito junto à Itaipu Binacional, processos comandados por Gionédis. (M.K.)
1985 - Requião se elege prefeito de Curitiba com apoio de Richa e Alvaro
1987 - Bueno é secretário de Justiça de Alvaro e diretor-presidente da Fundação de Ação Social de Requião
1990 - Alvaro renuncia à disputa ao Senado para eleger seu sucessor Requião
1994 - Requião concorre ao Senado sem se envolver na campanha de Alvaro ao governo do Paraná
1995 - Gionédis foi secretário-chefe da Casa Civil e secretário da Fazenda, dois cargos de confiança do governador
1997 - Bueno defende entrada de Lerner no PSDB entrando em conflito com Alvaro
1998 - Alvaro concorre ao Senado sem se envolver na campanha de Requião ao governo do Paraná
2000 - PPS exige que Bueno se posicione contra privatização da Copel
2001 - Lerner demite secretário da Fazenda Gionédis por ter perdido a confiança nele





