Rua ganha de praça em plebiscito
Rua ganha de praça em plebiscito
Dos 2.286 eleitores, 85,75% optaram por abertura de avenida no centro
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Ney de ouzaPOLÊMICAPraça Angelo Darolt: futuro definido em consulta popular com estrutura de eleição que reuniu menos de 10% dos moradoresA população de Medianeira (60 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu) comemorou seus 39 anos de emancipação política indo às urnas para decidir o futuro da praça Angelo Darolt - a maior e mais central da cidade.
Ontem, 85,75% dos 2.286 moradores (o município possui 35 mil habitantes e 24 mil eleitores) que participaram de uma consulta popular sobre qual o melhor projeto de remodelação do local, escolheram a proposta de abertura da praça ao tráfego de veículos.
Apenas 281 eleitores optaram pela proposta de reservar o espaço somente aos pedestres (6 votaram em branco e 26 anularam o voto). Foi uma surpresa agradável. Esperava que nossa proposta vencesse, mas não com esta margem de diferença, disse o prefeito Luiz Suzuke (PT) à Folha, por telefone.
A proposta vitoriosa prevê que a área de lazer de 600 metros quadrados dê lugar a 100 metros de via duplicada. Hoje, a praça divide os quatro quilômetros da Avenida Brasília em duas partes: a comercial, ao norte, e a residencial, ao sul. Até o final da semana deveremos iniciar a primeira fase da obra, acredita o prefeito.
O resultado do plebiscito também foi uma vitória política do único prefeito petista do Extremo-Oeste. Na campanha, embora tenha tido apoio até mesmo de um dos seus principais adversários políticos - o vice-presidente da Câmara de Vereadores, João Ulisses Nunes Corrêa (PMDB) - Suzuke enfrentou o lobby de seu secretário de Planejamento, Vilson Toson (PFL).
Toson liderou o derrotado Movimento Praça Viva. Para convencer a população a votar contra a proposta de Suzuke, o grupo imprimiu 8 mil exemplares de um jornal, que fazia campanha para a proposta de transformar a praça em calçadão.
Ninguém venceu, ninguém perdeu. Quem ganhou foi o povo de Medianeira que passou por uma experiência saudável, que é debater e decidir de forma direta os destinos da cidade em que mora, comentou Suzuke, após a vitória. O prefeito não descartou que outros temas polêmicos se tornem objetos de consultas populares. É a forma mais objetiva, justa e democrática do cidadão se manifestar, defendeu.





