Políticos de partidos adversários e lideranças empresariais que sempre estiveram mais próximas do governo federal criticaram a atitude de represália tomada por Brasília contra o governo de Olívio Dutra (PT). Além dos três senadores do Estado - Pedro Simon e José Fogaça, do PMDB; e Emília Fernandes, do PDT, as direções das três mais importantes entidades patronais do Estado, a Federação das Indústrias/RS (Fiergs), a Federação das Associações Comerciais/RS (Federasul) e a Federação da Agricultura/RS (Farsul), também condenaram as medidas de Brasília. Diante das manifestações, o vice-governador Miguel Rossetto entende que, agora, o ataque do Palácio do Planalto não atinge apenas o governo gaúcho ‘‘mas o Rio Grande do Sul’’.
O senador Pedro Simon tachou a nota do Ministério de ‘‘ridícula’’. Chamou-a ainda de ‘‘infeliz, irracional, incendiária e absolutamente incompreensível’’. Suspeitando de uma conexão entre a represália e as pressões do Fundo Monetário Internacional (FMI), Simon ironizou a postura da equipe econômica fora do Brasil. ‘‘Lá (frente ao FMI), eles são humildes’’, assinalou. Embora o Estado esteja em dia com as suas obrigações, o ministério acenou com denúncia aos credores internacionais de que o Rio Grande do Sul apresentaria ‘‘risco de inadimplência’’.
O presidente da Fiergs, Dagoberto Godói, enviou carta ao ministro Pedro Malan, da Fazenda, solicitando que o governo federal informe imediatamente aos bancos estrangeiros que a situação do Estado é regular. Para o presidente da Federasul, Mauro Knijnik, a nota, distribuída na tarde de quinta-feira, foi ‘‘desproporcional e precipitada’’. E o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, não ficou surpreso com a iniciativa de Brasília, reparando que historicamente é assim que os produtores rurais do Rio Grande do Sul tem sido tratados pelo poder central.
Ontem, em declarações ao jornal Zero Hora, o funcionário do Banco Mundial, Michael Carrol, responsável pelo Programa Pró-Rural 2000, disse que a instituição dará prosseguimento normal ao projeto no Rio Grande do Sul. Financiado pelo Bird, o Pró-Rural 2000 é um dos programas ameaçados de suspensão pela decisão do governo FHC. Carrol, segundo o jornal, testemunhou que o projeto ‘‘está sendo implementado de maneira satisfatória’’.

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