Roupas e passaporte de Lula são furtados de carro de assessor
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terça-feira, 17 de abril de 2018
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - Roupas e documentos pessoais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incluindo o passaporte do petista, foram furtados na madrugada desta terça-feira (17) no bairro São Francisco, em Curitiba. As informações foram confirmadas pela presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann (PT-PR), e pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp).
Segundo os relatos, os pertences estavam no carro de um assessor de Lula. Ele participava de uma reunião na região, onde fica o diretório estadual da sigla, quando o automóvel foi arrombado. Os suspeitos teriam levado ainda cartas que militantes escreveram para o ex-presidente, roupas de cama lavadas, que seriem entregues a ele, e uma pasta, trazida de seu escritório e onde estavam, além do passaporte de Lula, um talão de cheque e outros documentos.
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Furtos e Roubos da capital paranaense. Em nota, o Departamento da Polícia Civil do Paraná informou que foi registrado um Boletim de Ocorrência pela Polícia Militar, relatando o ocorrido. O órgão disse ainda que fornecerá mais detalhes, como a descrição dos objetos, apenas após recolher o depoimento da vítima, cujo nome não foi divulgado. Por lei, os ex-presidentes da República têm direito vitalício de manter oito assessores pagos pela União.
VISITA
Em coletiva de imprensa na saída da Superintendência da Polícia Federal (PF), no Santa Cândida, Gleisi se disse muito preocupada com o furto e pediu à Sesp e ao Ministério Extraordinário da Segurança Pública "muita responsabilidade" na apuração dos fatos. "O presidente tem sido objeto já de uma série de ilegalidades, de abusos, em relação aos seus direitos", afirmou. Ela conversou com a imprensa na saída da visita que fez a Lula junto à Comissão de Direitos Humanos do Senado.
"Tem que esclarecer exatamente o que aconteceu. Pode ter sido um furto casual, um arrombamento, mas estamos preocupados, porque pode ter sido outra coisa. Pessoas que sabem onde a assessoria do presidente anda acompanharam. Isso tem de ser esclarecido o mais rápido possível. Nós estamos falando da segurança do presidente, da segurança dos seus familiares e das pessoas envolvidas com ele", completou.
Além de Gleisi, estiveram na sede da PF nesta terça-feira os parlamentares Fátima Bezerra (PT/RN), Regina Sousa (PT/PI), Lindbergh Farias (PT/RJ), Humberto Costa (PT/PE), Vanessa Grazziotin (PcdoB/AM), João Capiberibe (PSB/AP), Paulo Paim (PT/RS), Paulo Rocha (PT/PA), José Pimentel (PT/CE) e Lídice da Mata (PSB/BA). A diligência foi autorizada pela juíza Carolina Moura Lebbos, da 12ª Vara da Justiça Federal.
Para Capiberibe, relator da visita, as condições da cela de Lula podem ser consideradas adequadas. Ele estaria em uma sala especial, de 15 metros quadrados, localizada no quarto andar e que era usada como alojamento para policiais federais de outras cidades. Conforme a PF, há no local uma cama, um banheiro, uma mesa e uma televisão.
Entretanto, o político do PSB alega que o isolamento do ex-presidente atesta a condição dele de preso político. "Esse isolamento é uma preocupação dessa delegação. Lula é um preso político e tem mais de 30% das intenções de voto. É um caso raríssimo na nossa história. Lula diz que a arma que tem é sua inocência e que vai provar sua inocência", comentou.
De acordo com Bezerra, apesar de sereno e tranquilo, o petista estaria "profundamente indignado com a injustiça da qual é vítima". "Há um sentimento de indignação muito forte diante dessa brutal injustiça, mas ele está bem e nos incentiva a manter atos, vigílias e toda a luta". Os senadores devem fazer um relatório sobre a vistoria. O grupo chegou à PF por volta das 14h40 e saiu perto das 16h.


