Leandro Donatti
De Curitiba
O deputado Valdir Rossoni (PTB) se mantém como líder do governo na Assembléia Legislativa do Paraná. O anúncio foi feito ontem à tarde pelo governador Jaime Lerner (PFL), depois de uma conversa reservada com o deputado, em seu gabinete no Palácio Iguaçu. Rossoni retoma o cargo a partir de hoje com a missão de apaziguar os ânimos da base aliada, dividida mais do que nunca depois da vitória de Nelson Justus (PTB) à presidência da Assembléia. A decisão já estava acertada desde sexta-feira passada, mas só foi formalizada ontem com a volta dos deputados do feriadão da Semana da Pátria.
‘‘Convidei o Rossoni para permanecer na liderança e para a nossa alegria o deputado aceitou. Vamos recompor tudo rapidamente’’, apostou Lerner. Na briga pela sucessão de Aníbal Khury (PFL), que morreu no dia 30 de agosto, o governador fez campanha escancarada para Justus, inviabilizando a candidatura do também aliado Rossoni. ‘‘Eu já assimilei a derrota’’, declarou Rossoni, que, no calor do processo eleitoral, chegou a acusar o governo de usar a máquina pública para favorecer Justus.
O líder do governo garantiu que o governador não vai perseguir os 17 deputados que se insurgiram contra o governo, confiando-lhe o voto na briga pela presidência. Estes deputados integram o ‘‘Grupo dos 21’’, aliados revoltados contra o governo por conta da crise financeira. ‘‘Além disso, passaremos a ter um canal direto com Lerner. Ser líder do governo com o Aníbal Khury era uma coisa. Agora tudo é muito diferente. Preciso de mais suporte e agilidade política para defender as questões do governo’’, assinalou Rossoni.
Líder do ‘‘Grupo dos 21’’ (que, ao que tudo indica conta com um número menor de deputados), Durval Amaral (PFL) avisou ontem que o acordo entre Lerner e Rossoni não será engolido pelos aliados como prato-feito. ‘‘Não vamos fazer oposição sistemática ao governador, nem nos aliarmos ao PMDB e PT. Somos um bloco de deputados disposto a discutir tudo à exaustão’’, alertou. O deputado disse que o grupo só acompanha o governo quando concordar com a matéria em votação e não descartou a possibilidade de ‘‘acordos pontuais’’ com a oposição, quando a matéria for polêmica. ‘‘Acabou o alinhamento automático’’, observou Durval.

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