Rossoni se diz muito preocupado com a corrupção no Estado
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segunda-feira, 21 de março de 2016
Mariana Franco Ramos <br>Reportagem Local 
Curitiba O deputado federal Valdir Rossoni (PSDB) defendeu ontem, ao assumir a chefia da Casa Civil no Paraná, as operações Publicano, que apura desvios na Receita Estadual, e Quadro Negro, relativa a supostas irregularidades em obras de escolas públicas. No entanto, fez uma comparação inusitada, dando a entender que duas investigações de ilícitos seria um número pequeno, se comparado ao que acontece em outras unidades da federação. Além dele, tomaram posse ontem os novos secretários da Administração, Reinhold Stephanes (PSDB), e da Justiça, Artagão Jr. (PSB). A cerimônia aconteceu em um Salão de Atos do Palácio Iguaçu lotado, com as presenças do governador Beto Richa (PSDB), da vice-governadora Cida Borghetti (PP), da primeira-dama, Fernanda Richa, de parlamentares e lideranças políticas.
"Não me conformo quando vejo o que está ocorrendo no Brasil. Outro dia estávamos sentados em 50 deputados. Eu contei que no Paraná tem duas investigações de possível desvio de recursos públicos. Eles olharam e disseram: e vocês estão preocupados com isso? Nós estamos muito preocupados, respondi. O governador mandou aprofundar todas as investigações dentro do governo, porque tem uma história de seu pai, dele e de sua família", comentou. "No meu estado sabe quantas tem? Um (falou) 31, outro 35, outro 40... Todos atos de corrupção. Nós temos duas e estamos extremamente preocupados para tirar a limpo e mostrar aos paranaenses que nós zelamos pela coisa pública", prosseguiu.
Rossoni também se comprometeu a retornar a Brasília para votar a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). De acordo com o tucano, essa foi a única condição imposta a Beto para que ele aceitasse o cargo no Executivo. "Quero falar como um pequeno empresário. Está chegando ao ponto de uma corrente tão negativa na economia do nosso País, aonde clientes que nunca atrasaram um centavo não estão pagando a conta. E isso é muito grave, porque significa menos impostos. Talvez, nós tenhamos que apertar os cintos para passar essa turbulência, como se nós estivéssemos voando num desses grandes aviões", afirmou.
Ao contrário de Stephanes e Artagão, que fizeram discursos breves, o primeiro lembrando que essa é a sexta vez em que é nomeado secretário de Estado, motivo pelo qual todos já o conhecem, Rossoni falou por mais de dez minutos. Ele procurou, a todo momento, elogiar Beto e relembrar de seu tempo na presidência da Assembleia Legislativa (AL). Nem todos na Casa receberam bem a indicação do parlamentar para o posto. "Eu brincava agora com a Cláudia (Pereira, do PSC) e a Mara (Lima, do PSDB), dizendo que elas serão minhas guardiãs junto aos deputados, porque os deputados são pessoas que certamente têm ajudado muito o governador. Deram um grande sacrifício, talvez o seu prestígio, para nós estarmos nesse momento econômico e financeiro. O Paraná está, dentro da atual crise nacional, numa situação muito confortável, devido à competência, à visão do governador."
SINTONIA MAIS FINA
Em rápida coletiva de imprensa, o governador falou que o objetivo das trocas no primeiro escalão é buscar uma "sintonia mais fina", ainda que os agora ex-secretários Eduardo Sciarra (PSD), Dinorah Nogara e Leonildo de Souza Grota tenham "cumprido bem o papel, com um extraordinário desempenho". "São pessoas experientes, qualificadas, preparadas para o exercício das suas funções", destacou, ao se referir aos novos chefes das pastas.
Além do trio e do também deputado federal Ricardo Barros (PP), que deve substituir seu irmão Sílvio Barros (sem partido) no Planejamento nas próximas semanas, não há, conforme Beto, outras alterações em vista. "Previstas não mais, embora todas as administrações públicas sejam bastante dinâmicas. Volte e meia pode haver a necessidade de alguma mudança", desconversou.
Nos lugares de Rossoni e Stephanes, assumiram seus mandatos na Câmara Federal Nelson Padovani (PSDB) e Paulo Martins (PSDB). Isso porque o primeiro suplente da coligação, Osmar Bertoldi (DEM), permanece preso, suspeito de ter agredido a ex-companheira, enquanto o segundo, Edmar Arruda (PSC), está licenciado. Com a vinda de Barros, o próximo na "fila" é Professor Sérgio (PSC), a não ser, claro, que Bertoldi deixe a cadeia. Neste caso, como ele não foi condenado em última instância, poderia ser empossado normalmente. Já na AL, quem herdou a vaga de Artagão Jr. foi Stephanes Jr. (PSDB).


