Curitiba - O presidente da Assembleia Legislativa, Valdir Rossoni (PSDB), registrou ontem um Boletim de Ocorrência no 3º Distrito Policial em Curitiba no qual trata de cartas com ameaças que ele afirma ter recebido desde que assumiu a direção da Casa, em fevereiro. Algumas correspondências falam em ameaça de morte. Foram registradas cinco cartas no DP, mas ao longo do semestre o tucano teria recebido quase o dobro. ''Ele rasgou algumas cartas, jogou fora. Mas ele recebe constantemente e agora resolvemos registrar um BO''', disse o tenente-coronel Arildo Dias, que está à frente do gabinete militar criado na Assembleia Legislativa no início da gestão de Rossoni.
A decisão em registrar o BO somente agora tem ligação com o recebimento de uma carta específica, na qual há detalhes sobre como seria a ''execução''. Na carta, que a FOLHA teve acesso, está escrito que um conhecido de São Paulo, apelidado de ''cachorro louco'', cobraria até R$ 5 mil pelo ''serviço''. ''Portanto, pare de fazer mal para nós e para nossas crianças com essas atitudes, que prejudicam muitas pessoas, velhos, novos, crianças que não vão ter o futuro como esperavam. Vou tomar atitudes drásticas se a gente for prejudicado. A gente tem família grande. Filhas e filhos igual a você, que não quer que nada aconteça pros teus. Não é possível depois de velho tenha que começar a vida de novo e ainda arranjar dinheiro pra fazer execução'', diz trecho do texto da carta, que originalmente não possui pontuação e foi escrita em letras de computador, maiúsculas.
O tenente-coronel explica que o endereço que consta no envelope ''existe'', mas não é possível tirar conclusões: ''É o endereço de uma unidade municipal de educação, na Cidade Industrial de Curitiba''. A correspondência aparentemente não foi colocada nos Correios. Embora tenha um selo, não há carimbo que identifique o envio da carta. ''O que me preocupa mais é essa carta. As outras eram mais impropérios, agressão verbal. O Rossoni é avesso a seguranças, mas vai que daqui a pouco alguém o agride, moral ou fisicamente, e não se tem um registro do histórico de agressões?'', disse.
A partir de agora, todas as correspondências do tipo devem passar pela perícia da Polícia Civil. ''A maioria das cartas que recebemos foram manuseadas por várias pessoas. Agora tudo será antes analisado pelo gabinete militar, cartas, pacotes, presentes. O objetivo é proteger e não danificar possíveis provas'', afirma Dias.
Em junho, o carro alugado pela Assembleia Legislativa para uso do presidente da Casa foi atingido por um tiro na estrada, num ponto próximo da cidade de Bituruna, base eleitoral do tucano. Rossoni não estava no carro e ninguém ficou ferido, mas um inquérito foi aberto para apurar o caso. Rossoni vem falando de ameaças desde quando assumiu o comando do Legislativo, e provocou mudanças que afetou a vida de centenas de funcionários e ex-funcionários.
A última medida polêmica divulgada por ele envolvia os cerca de 300 aposentados pelo Legislativo. Na semana passada, Rossoni divulgou o resultado de uma varredura feita nas aposentadorias e revelou que cerca de 90% delas apresentavam algum tipo de irregularidade. O problema mais comum tem ligação com o valor da aposentadoria, incompatível com a carreira do servidor.

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