Curitiba - O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, deputado Valdir Rossoni (PSDB), sugeriu ontem que o vazamento na imprensa de informações sobre investigações do Ministério Público (MP) do Estado em torno de deputados ocorre por retaliação à demissão de Severo Sotto Maior do cargo de diretor legislativo da Casa. Severo é irmão do procurador-geral de Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior, chefe máximo do MP. ''Será que isto está acontecendo porque eu demiti o irmão dele? Por que não se abre uma investigação sobre o irmão dele, diretor responsável por centenas de funcionários irregulares?'', atacou Rossoni. Procurada, a assessoria de imprensa do MP informou que o procurador-geral de Justiça estava em reunião e que, por enquanto, não haveria uma manifestação sobre o assunto. A reportagem não conseguiu contato com Severo.
Rossoni se refere à apuração do MP em torno da suspeita de que, entre 2003 e 2010, a AL teve quase mil funcionários fantasmas, número que representaria hoje cerca de dois terços do quadro de servidores da Casa. Entre os investigados, estão pessoas ligadas a gabinetes de seis deputados: além de Rossoni, Reni Pereira (PSB), Nereu Moura (PMDB), Luiz Eduardo Cheida (PMDB), Nelson Justus (DEM), ex-presidente da AL, e Alexandre Curi (PMDB), ex-primeiro-secretário da Casa. O MP não deu mais detalhes ontem sobre as investigações, mas os deputados envolvidos criticaram o que classificam de ''condenação prévia''. ''Não se pode condenar ninguém antes do tempo. O MP tinha que primeiro verificar a veracidade das informações que recebem. É preciso cautela'', disse Rossoni. Mais de 100 inquéritos estão em andamento no MP sobre possíveis contratações de funcionários fantasmas.
No caso de Rossoni, as investigações em torno de possíveis funcionários fantasmas ligados ao seu gabinete iniciaram a partir de uma denúncia feita pela FOLHA, relativa ao piloto Marcelo Venâncio Brito, que, embora comissionado da AL, conduzia uma aeronave particular para o deputado. Ele foi exonerado por Rossoni após a denúncia, mas, na época, o MP abriu um inquérito para investigar outras situações ligadas ao gabinete de Rossoni. Pelo menos 13 servidores do tucano seriam alvos de investigação hoje do MP.
Entre os 13 servidores, também está Sergio Brun, que é o atual diretor-financeiro da AL. Ele nega, contudo, que tenha sido servidor fantasma de Rossoni. Brun disse à imprensa que trabalhava como ''agente político'' para o tucano na cidade de Bituruna (Sudeste), uma das bases eleitorais do presidente da AL. Mas a prática de pagar ''cabos eleitorais'' com dinheiro da AL também é alvo de investigação do MP.

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