Curitiba - O deputado Valdir Rossoni (PSDB) afirmou ontem que a oposição na Assembléia Legislativa resolveu concordar com o fim da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs ''para não servir de massa de manobra'' do Executivo. É que o tucano alega que o secretário-chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, na tentativa de ''derrubar uma parte'' da secretaria do Emprego, Trabalho e Promoção Social, teria feito ''pressão'' em alguns deputados para que a CPI das ONGs fosse instalada. Os supostos repasses ilegais de recursos do Estado a Ongs teriam ocorrido na gestão anterior do governador Roberto Requião (PMDB), quando a secretaria era comandada pelo ex-petista Padre Roque Zimmermann.
''Há necessidade de se investigar, mas a oposição não quer ser instrumento do chefe da Casa Civil, que articulou desde o início para satisfazer necessidades políticas'', atacou Rossoni. Conforme o tucano, os deputados de oposição não chegaram a assinar o requerimento que solicitava a investigação. O requerimento, apresentado pelo deputado Fábio Camargo (PTB), foi assinado por cerca de 20 parlamentares.
De acordo com o líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), a CPI das Ongs foi descartada porque o assunto seria ''muito amplo'', e as comissões permanentes da Casa poderiam investigar.
Iatauro, que está de férias e em viagem à Europa, disse por telefone que, pessoalmente, sempre foi contra à CPI das ONGs. ''O governo já fez sua investigação, o Tribunal de Contas e a polícia também estão investigando''. Ele acrescentou, porém, que é ''um homem do governo'' e que, por isso, segue a orientação do governo. ''Gostaria que o Rossoni citasse o nome de algum deputado que foi pressionado por mim'', disse. ''Se eu tivesse que pressionar (pela instalação de alguma CPI), eu pressionaria pela CPI dos R$ 10 milhões do DER e da Ambiental Paraná Florestas'', atacou Iatauro, em referência a duas CPIs que também não foram instaladas e que tratam da gestão do ex-governador do Estado Jaime Lerner.

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