Curitiba - O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), rebateu as acusações feitas anteontem pelo deputado estadual Elton Welter (PT), de que teria ocorrido uma "articulação" entre os Três Poderes para a eleição de Fabio Camargo ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Estado. Ontem, o tucano se mostrou surpreso com as declarações sobre uma suposta pressão exercida sobre o parlamentar antes da escolha do novo conselheiro e negou qualquer relação entre a aprovação da transferência dos depósitos judiciais do Tribunal de Justiça (TJ) ao governo estadual com a eleição de Camargo.
"O Legislativo não entra em tal acordo. Por isso recebo esta notícia com preocupação. Não quero polemizar, mas ele (Welter) colocou 54 deputados em suspeição. Por isso pedi para ele apresentar tais provas e vou esperar qual será o seu posicionamento", disse.
Rossoni afirmou ainda que aguarda o encaminhamento destas provas para que seja instaurado um procedimento disciplinar na Casa. Ele disse que se soubesse de uma possível prática de tráfico de influência teria tomado providências. "Vou tomar pé da situação e fazer o que cabe ao presidente nesta situação, não tenham dúvida disso. Só posso afirmar que não sofri nenhuma pressão, pelo contrário, não sou pressionável", completou o presidente da AL.
Welter, por outro lado, voltou a confirmar suas acusações ontem. "Não gravei e não filmei, mas nas votações do TC aqui na Casa é muito comum ocorrer pressão, faz parte da relação de poder que existe no plenário", disse.
O deputado ressaltou que se colocou à disposição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para prestar esclarecimentos caso seja chamado. A suspeita de que o desembargador afastado Clayton Camargo (ex-presidente do TJ e pai de Fabio) interferiu no processo é investigada pelo CNJ. "Não é nada pessoal contra o Fabio, o que não dá para admitir é o que aconteceu. O que estou falando não é nenhuma novidade, outros deputados já falaram isso, só que poucos falam naturalmente", destacou Welter.
Questionado sobre o motivo da denúncia ter sido feita só agora, já que a eleição de Fabio ocorreu em julho na AL, o petista disse que achou "o momento oportuno". Ele se refere ao fato de, na terça-feira, o CNJ ter anulado o repasse de mais de R$ 2 bilhões em depósitos judiciais do TJ para o governo estadual. "Cabe agora à Justiça investigar e decidir", finalizou.

Repercussão
Poucos entre os 54 parlamentares da AL comentaram o assunto na sessão plenária de ontem. Todos negam que tenham sofrido qualquer tipo de pressão para escolher o novo conselheiro do TC e esperam que Welter mostre provas e indique de quem partiu as ameaças. "Ele sabe o que está falando e saberá explicar tudo. No meu caso não sofri pressão, discutimos a eleição abertamente dentro da bancada de oposição", disse Ênio Verri (PT).
Para Ademar Traiano (PSDB), líder da situação, Welter tem obrigação de dar explicações. "Nunca em minha vida parlamentar sofri qualquer tipo de pressão. Ao fazer estas afirmações ele foi irresponsável, leviano. Agora cabe a ele dar explicações sobre isso", afirmou.
Alceu Maron Filho (PSDB), Professor Lemos (PT), Leonaldo Paranhos (PSC), Stephanes Júnior (PMDB) e Cleiton Kielse (PMDB) foram outros parlamentares que ressaltaram não terem sofrido qualquer pressão para votar em Fabio Camargo.
Fabio Camargo foi eleito no dia 15 de julho com 27 votos. O outro deputado estadual que também se candidatou, Plauto Miró (DEM), obteve 22 votos na disputa. Durante o processo eleitoral foram apresentados três pedidos de impugnação à candidatura de Fabio Camargo, entretanto todos foram rejeitados pela comissão especial que analisou as inscrições.

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