Florisvaldo Rosinha Fier (PT), 48 anos, quer iniciar o seu mandato como deputado federal em Brasília em grande estilo. Eleito em outubro com 34.773, Rosinha partiu ontem de Curitiba rumo ao Distrito Federal, ‘de mala e cuia’, dirigindo seu únicio carro, um fusca creme adquirido em 1978. A viagem deve durar cerca de três dias, com paradas para dormir.
O deputado conta que teve de fazer uma opção no final do ano passado: ou dava um lance no consórcio para tirar um corsa zero quilômetro ou comprava um apartamento de três quartos, em Curitiba. ‘‘Vendi o consórcio, que estava pagando há meses, e achei melhor comprar o apartamento. Como deputado nunca consegui ter casa própria. Vivia de aluguel.’’
Conhecido pelas suas críticas ferrenhas ao poder Legislativo do Paraná, Rosinha integra a ala mais à esquerda do PT, a radical. Ele é o único dos 54 deputados estaduais que não recebe os R$ 3,5 mil, pagos mensalmente pelo Departamento Financeiro da Assembléia Legislativa, como verbas de assistência, para compra de cadeiras de roda, dentaduras e óculos.
Criticado tanto pela direita como por setores da esquerda - os políticos acham que a decisão de Rosinha em manter o fusca como seu veículo de transporte durante 20 anos não passa de demagogia - o deputado diz que o carro vai ajudá-lo a economizar despesas com táxi. Como congressista, Rosinha vai receber R$ 8 mil brutos, fora passagens aéreas.
O fusca de Rosinha tem 187 mil quilômetros rodados. Passou pelas mãos da ex-sogra e da ex-mulher. ‘‘Está muito bom. Dura ainda um tempão’’, classificou o deputado. Rosinha começou a viagem a Brasília por São Paulo. Ontem, por volta do meio-dia quando conversou com telefone com a Folha disse que está empolgado com o que acabou se tornando uma aventura.
Hoje, o deputado passa por Minas Gerais, e amanhã por Goiás. ‘‘O bom é que vou conhecer um pouco de cada região.’’

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