Patrícia Zanin
O deputado federal Dr. Rosinha (Florisvaldo Fier, PT-PR) disse em Londrina que a saída do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida do PT deveria servir de motivo para um ampla discussão sobre a atuação do partido. ‘‘Toda a saída de um companheiro é uma perda’’, lamentou. ‘‘Mas tínhamos que fazer um debate interno maior, sem agressão pessoal, com reflexão’’.
Rosinha, que visitou a Redação na sexta-feira, disse que o PT tem feito pouca reflexão ‘‘a respeito de tudo’’. ‘‘Inclusive da realidade no Paraná, o que representa o governo Lerner e a atuação do PT’’, disse. Para ele, falta paciência e vontade das lideranças para reavivar o debate. ‘‘Existe uma forte corrente dentro do PT para a qual não importa o meio de se chegar ao governo’’, criticou.
Rosinha, da ala radical do PT, citou como exemplo alianças firmadas pelo partido como no caso de Medianeira, onde o prefeito é do PT e o vice do PFL, além de Campo Largo, município onde o PT apóia a administração do PFL. Ele também disse ser contra o debate feito por algumas alas do partido em relação a alianças com partidos que não sejam de esquerda. ‘‘É possível discutir aliança, mas só no segundo turno’’, afirmou.
As críticas do deputado dão uma mostra do que deve ser a disputa pelo comando do diretório estadual do partido, em outubro. Três candidatos já declararam interesse em concorrer: o assessor de Rosinha, Márcio Pessati, o ex-deputado federal Nedson Micheleti e o deputado federal Padre Roque.
Os dirigentes têm visões diferentes como deve ser a atuação do PT. ‘‘Nossas diferenças são na concepção do partido’’, disse Rosinha, que afirmou integrar o grupo do ‘‘PT socialista e com dirigentes com ação política na sociedade’’. ‘‘Queremos o poder, não só o governo’’. Na opinião dele, os outros grupos fazem mais a linha de interlocução.
Rosinha disse que ele próprio não disputa a presidência porque quer se dedicar ao mandato. ‘‘Tenho fama de ter sido um bom vereador, um bom deputado estadual e quero cumprir bem meu mandato como deputado federal’’, afirmou.

mockup