Rosinha defende CPI da corrupção
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terça-feira, 14 de janeiro de 2003
Luciana Nunes Leal <BR> Agência Estado 
Rio de Janeiro Diante do escândalo com o envolvimento de quatro fiscais da Receita Estadual em suspeitas de corrupção e remessa ilegal de US$ 32 milhões para o exterior, a governadora do Rio, Rosinha Garotinho (PSB), e o marido dela, o ex-governador Anthony Garotinho (PSB), defenderam a abertura de uma CPI na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. ''São bandidos, estou indignado, traíram minha confiança'', reagiu Anthony Garotinho. O pedido de abertura de CPI havia sido anunciado pelo deputado estadual Carlos Minc (PT). O casal Garotinho quer que o PSB proponha a investigação. Petistas e socialistas são adversários políticos no Estado.
Além do Ministério Público (MPF) e Polícia Federal (PF), o MP Estadual também entrou no caso e abriu inquérito para investigar crime de improbidade administrativa. Os bens dos fiscais e das mulheres deles serão comparados com a renda das funções de funcionários públicos.
Um dos investigados, Rodrigo Silveirinha Corrêa, trabalhou no governo Anthony Garotinho, foi assessor econômico da campanha de Rosinha e exonerado semana passada da presidência da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado (Codin). Os outros são Lúcio Manoel Picanço, Carlos Eduardo Pereira Ramos e Rômulo Gonçalves.
Indagado se tinha sido procurador por Corrêa, o ex-governador respondeu: ''Ele que não se atreva a me procurar!''. Anthony Garotinho procurou minimizar a importância de Corrêa na administração. ''Ele era sub do sub'', declarou. O fiscal ocupava a Subsecretaria-Adjunta de Administração Tributária da Secretaria Estadual de Fazenda, da qual é funcionário concursado.
Corrêa foi também o responsável pela Inspetoria de Grande Porte, criada por Garotinho para fiscalizar os tributos das 400 maiores empresas do Estado, responsáveis por 75% da arrecadação do ICMS. ''Não podíamos imaginar que ele ia se desviar, houve falha no caráter dele'', continuou Garotinho. A inspetoria foi fechada pela ex-governadora Benedita da Silva (PT), atual ministra de Assistência e Promoção Social, e agora reativada por Rosinha. Todos os acusados trabalharam na inspetoria e as suspeitas são de que as propinas tenham sido pagas em 1999 e 2000.
''Não vamos fazer política em fato policial'', disse Garotinho que, no entanto, quer que a CPI ''apure tudo, inclusive a anistia da Coca-Cola''. Os aliados do ex-governador na Assembléia questionam a anistia fiscal concedida por Benedita à empresa. O escândalo desencadeou um jogo de empurra sobre os responsáveis pela nomeação de Corrêa para cargos importantes no Estado. O ex-secretário de Fazenda Antônio Carlos Sasse, que tinha Picanço como chefe de gabinete, diz que a indicação de Corrêa foi de Anthony Garotinho.
Ontem, promotores do MPE se reuniram com procuradores do MPF, que investiga as denúncias desde dezembro, para obter informações sobre o caso. O MPE abriu inquérito civil na quinta-feira passada para apurar o crime de improbidade administrativa. O segundo subprocurador do MP do Estado, Élio Fischberg, informou que os promotores poderão entrar com outro pedido de sequestro e repatriamento do dinheiro depositado na Suíça pelos fiscais. Uma primeira ação pedindo o sequestro do dinheiro, feita pelo MPF, foi negada pelo juiz da 3 Vara Criminal Federal, Lafredo Lisboa. Os procuradores pediram reapreciação e a nova decisão de Lisboa deverá ser anunciada hoje.


