Rosinha anda de Fusca e Babá vai de ônibus
Para a maior parte dos parlamentares, a realidade é mais dura. O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), de 50 anos, como todos os colegas do PT, repassa 30% de seu salário para o partido. Dos R$ 4 mil que recebe da Câmara, depois de todos os descontos, ele reserva R$ 2.500,00 para o sustento próprio e da família, e o restante gasta com combustível e hotel visitando às bases eleitorais.
Não tenho cartão de crédito e ando num Fusca 78, conta ele. Médico pediatra licenciado da Prefeitura de Curitiba, Dr. Rosinha acha uma hipocrisia a discussão sobre aumento de salário na Câmara. Deveriam, sim, dar-nos condições mínimas para estruturar um gabinete no Estado, sugere.
O colega de partido, deputado Babá (PT-PA), de 46 anos, passou os primeiros meses do mandato morando em Sobradinho cidade satélite de classe média baixa, a 25 quilômetros de Brasília e deslocando-se de ônibus até a Câmara. Babá não entende por que muitos parlamentares reclamam tanto das condições salariais, mas lutam para continuar com o mandato. O parlamentar vem para cá para aprovar leis, mas acaba virando um assistente social, critica.
Pioneiro na bandeira do salário mínimo, o companheiro Paulo Paim (PT-RS), de 50 anos, não consegue fazer milagre com o próprio salário. Eu vivo no vermelho, negociando com o gerente do banco, admite ele. Diariamente, Paim chega ao gabinete com seu almoço numa marmita.
O deputado Themístocles Sampaio (PMDB-PI), de 79 anos, achou uma outra maneira de melhorar a renda familiar. Durante algum tempo, manteve empregados em seu gabinete dois dos sete filhos. Tenho três casas para sustentar (em Brasília, Terezina e Esperantina, no Piauí), com empregada e motorista em cada uma, e vivo modestamente, mas se eu fosse a um bom restaurante uma vez por mês não conseguiria cobrir minhas despesas como parlamentar, avalia.





