Roseana presta depoimento à polícia
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terça-feira, 16 de abril de 2002
Agência Estado 
São Luís - A ex-governadora do Maranhão e ex-presidenciável do PFL Roseana Sarney presta depoimento hoje, às 15h, na sede da Polícia Federal (PF) em São Luís, sobre o inquérito que investiga fraudes na liberação de recursos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para a Usimar, um projeto de R$ 44 milhões que nunca saiu do papel. Roseana foi intimada porque presidiu a reunião na qual foi aprovada a verba para o projeto Usimar. O interrogatório, que será feito pelo delegado responsável pelo caso, Deuselino Valadares, está marcado para hoje mas, Valadares não descartou a possibilidade de ouvir a ex-governadora ontem à noite, para evitar o assédio da imprensa.
Jorge Murad, marido de Roseana, também será ouvido nesse inquérito. Há suspeitas de que ele teria pressionado para que a verba do Usimar fosse liberada. O depoimento dele ainda não foi marcado porque a PF não está conseguindo encontrá-lo. Como ele foi nomeado secretário extraordinário de Ciência e Tecnologia do atual governo estadual, Murad ganhou o direito de escolher a data do depoimento e tem que ser intimado pela PF por meio do governo estadual. Mas o marido da ex-governadora não tem ido trabalhar e, mesmo sabendo pelos jornais que a PF tentar marcar um encontro com ele, ainda não contatou a polícia.
A intimação sobre o inquérito da Sudam desencadeou uma crise no PFL que criticou o fato de a PF ter escolhido um domingo (apenas 48 horas depois de Roseana ter deixado o governo) para enviar o documento à ex-governadora e foi uma das razões que levaram a pefelista Roseana a renunciar à pré-candidatura à Presidência, no último sábado.
O Ministério Público federal analisa a possibilidade de recorrer da decisão do juiz Mario Cesar Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que suspendeu o inquérito para apurar a veracidade da lista de nove supostos doadores de campanha apresentada à Justiça pelos advogados de Roseana como justificativa para o R$ 1,34 milhão apreendido na Lunus, empresa da ex-governadora e do marido.
DevassaA Polícia Federal decidiu fazer uma devassa em pelo menos 55 projetos que receberam R$ 297 milhões da Sudam, muitos dos quais teriam envolvimento de políticos. A relação com os nomes dos empreendimentos e com os supostos apadrinhamentos de senadores, deputados, governadores e ex-parlamentares, foi encontrada na residência do ex-superintendente da autarquia, José Artur Guedes Tourinho, que confirmou a sua autenticidade.


