Brasília - O PFL decidiu ontem, após pressão da governadora Roseana Sarney (MA), não permitir nesta semana a votação da emenda que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A pressão da governadora mudou a disposição do partido, anunciada anteontem, de não deixar a crise entre o PFL e o governo interferir nas votações no Congresso. Em reunião com deputados e senadores, Roseana disse que retiraria sua candidatura à Presidência se não tivesse o apoio de seu partido.
O PFL tem a maior bancada na Câmara – 95 dos 513 deputados – e, sem o partido, o governo corre o risco de ser derrotado na votação. A votação em segundo turno do projeto estava marcada para a sessão de hoje. ‘‘Ela deixou claro que só sairia candidata se o PFL, unido, demonstrasse apoio. O PFL está solidário a essa candidatura. Se fraquejar, o partido sofrerá danos irreparáveis’’, afirmou o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM).
A crise entre o partido e o governo foi provocada pela operação de busca e apreensão da Polícia Federal, cumprindo determinação judicial, na empresa Lunus, de Roseana e de seu marido, Jorge Murad, na última sexta-feira. Anteontem, após reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro da Previdência, Roberto Brant (PFL), disse que o partido votaria o projeto da CPMF. O líder do PFL no Senado e vice-presidente do PFL, Agripino Maia (RN), também havia declarado que a crise política não atingiria a votação da emenda.
A posição do partido foi alterada depois do encontro de ontem com a governadora. O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), anunciou oficialmente ao líder do governo, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que o partido não votaria o projeto nesta semana. ‘‘Se votarmos, vai parecer que não há crise’’, disse Inocêncio.
A decisão final, segundo Inocêncio, caberá à Executiva do PFL, que deverá definir amanhã se romperá ou não com o governo. Inocêncio afirmou que, mesmo que o PFL saia do governo, o partido votará posteriormente a favor da emenda. Com a decisão do PFL, a cobrança da CPMF deverá ser interrompida em 16 de junho, pelo menos temporariamente. O governo prevê que deixará de arrecadar R$ 400 milhões por semana.

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