Roseana pode ser ministra de Lula
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sexta-feira, 03 de novembro de 2006
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - Mal deixou o PFL, a senadora Roseana Sarney (sem partido-MA) já foi convidada a participar do segundo governo Lula. Antes de viajar aos Estados Unidos na quarta-feira, para um descanso de dez dias, ela foi procurada, por telefone, pela ministra do Gabinete Civil, Dilma Rousseff. Segundo um interlocutor da senadora, a ministra transmitiu-lhe o recado objetivo de que o presidente gostaria muito de tê-la a seu lado, no ministério.
O telefonema foi curto, mas revela o primeiro movimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para montar o novo governo de coalizão, no qual o PMDB deverá ter papel de destaque. Assim que retornar ao Brasil, Roseana vai se filiar ao PMDB, independentemente do encontro com o presidente para tratar do convite, que nem sequer foi marcado.
Antes da conversa rápida com a ministra, Roseana havia recebido um telefonema do presidente Lula no início da semana. Neste contato, porém, não se falou de ministério. Um amigo da senadora conta que a conversa ficou restrita à manifestação pessoal de solidariedade, feita por Lula, por conta da derrota dela na briga pelo governo do Maranhão.
''As coisas são assim mesmo. É porque nunca havia perdido uma eleição'', consolou o presidente. ''Mas veja - prosseguiu Lula ainda segundo o interlocutor de Roseana - eu estou bem. Já perdi cinco eleições, e estou aqui'', completou.
Um dirigente do PMDB lembra que o grupo do senador José Sarney (PMDB-AP) já ocupa um posto no primeiro escalão federal, com Silas Rondeau à frente do ministério das Minas e Energia. Ele considera pouco provável que o mesmo grupo ganhe um segundo ministério, sendo Sarney um representante do pequeno Amapá e sua filha Roseana, uma candidata derrotada a governadora.
Diante deste quadro e do fato de a ministra Dilma manter alguns ex-auxiliares seus nas Minas e Energia e o interesse pela área, setores da cúpula peemedebista trabalham com a hipótese da troca das Minas e Energia por outro ministério: o da Saúde. O raciocínio neste caso é o de que, para voltar a comandar posto tão estratégico, o PMDB teria de apontar um nome de peso político e apreço presidencial suficientes para inibir outra articulação: a que tenta emplacar a indicação do deputado eleito e ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PSB-CE).


