Gerson Camarotti
Agência Estado
De Brasília
O PFL já tem o que comemorar neste ano novo. Depois de perder prematuramente o deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), que morreu em abril de 1998, e com isso ver por água abaixo seu projeto de poder, o partido começa a reconstruir seu caminho. Em 1999, o PFL havia tentado emplacar sem sucesso a candidatura do senador Antonio Carlos Magalhães (BA) para a eleição presidencial de 2002. Mas agora, o partido acredita que já encontrou uma nova alternativa para a sucessão de FHC: a governadora do Maranhão, Roseana Sarney.
Até então fora do circuito, Roseana começou a empolgar setores do partido nos últimos dois meses, principalmente depois do ótimo desempenho nas pesquisas de opinião do final do ano passado, que a colocaram como a mais popular governadora do País com 61% de avaliação ótima ou boa, segundo o Instituto Vox Populi. Mas não foi só isso. Uma pesquisa nacional concluída no mês de dezembro pelo mesmo instituto e que na última semana chegou ao conhecimento de alguns caciques pefelistas mostra um resultado surpreendente.
Numa disputa presidencial, Roseana aparece com 6% dos votos. Um número praticamente igual ao do governador Anthony Garotinho (PDT-RJ), que ficou com 7%, e bem superior ao resultado do ministro tucano José Serra (Saúde), com 2%. Nessa mesma pesquisa, Lula (PT) teve 28% dos votos, Ciro Gomes (PPS) ficou com 19%, e o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido) manteve-se nos 12%.
‘‘Roseana começa a empolgar fortemente o partido’’, assegura o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), um dos mais entusiastas do nome da governadora. ‘‘Já percebo esse sentimento contaminando toda a bancada’’.
Inocêncio ressalta, porém, que ACM continua sendo o nome do PFL para a disputa presidencial.
Em maio do ano passado, o partido decidiu que teria candidatura própria para 2002. Naquela ocasião, entre os nomes mais votados pelo próprio partido apareceram ACM, o vice Marco Maciel e o governador do Paraná, Jaime Lerner.
Desses três, o único nome com força é o de ACM, já que em consultas nacionais Lerner não ultrapassa os 2% e Marco Maciel continua mantendo uma postura discreta na mídia nacional. Mas o próprio presidente do Senado já tem assegurado em conversas reservadas que não acha viável a sua candidatura.
Atualmente, o PFL está dividido entre aqueles liderados por ACM, que enxergam com simpatia uma continuação da aliança comandada pelos tucanos, e aqueles liderados por Marco Maciel, que continuam defendendo uma candidatura própria. É por isso que o nome de Rosena Sarney surge com força entre esses dois grupos como uma saída viável para unir o partido em torno de um projeto próprio. ‘‘O nome de Rosena está crescendo com muita rapidez’’, constata o vice-presidente da Câmara, deputado Heráclito Fortes (PFL-PI). Quando provocada sobre sua possível candidatura presidencial, a governadora do Maranhão desconversa. ‘‘Ainda é muito cedo para qualquer discussão sobre 2002’’, costuma responder Roseana.
Para o cientista político Marcos Coimbra, diretor do Vox Populi, Rosena Sarney encaixa-se no perfil que o eleitorado está esperando despontar na próxima campanha depois de um ciclo de 20 anos de uma geração de políticos que surgiu com o fim da ditadura militar. ‘‘A governadora Rosena tem esse perfil de renovação’’, explica Coimbra, também citando Ciro Gomes (PPS) e Garotinho (PDT) como prováveis candidatos com esse perfil. Segundo o cientista político, o sobrenome Sarney ajuda a governadora, já o seu pai, senador José Sarney, deixou uma imagem positiva quando saiu da Presidência da República como um governante que fez um trabalho social no País.
Mas para Coimbra, o principal fato favorável a Rosena não é o atual desempenho nas pesquisas, mas sim o potencial de crescimento de sua candidatura, já que ela praticamente não tem rejeição.
No PFL, a preocupação é não marcar a governadora como uma candidata do partido, ou vinculada ao presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Ela precisa ter uma personalidade própria’’, defendeu um integrante da Executiva Nacional. Para esse cacique pefelista, é muito importante o partido ter um nome de viabilidade eleitoral, até mesmo para depois negociar uma composição eleitoral. ‘‘Afinal, ir para o mercado eleitoral sem ter um produto para oferecer, deixa o nosso preço muito mais baixo’’, constatou ele. Nessa hipótese, Rosena poderia ser uma vice ideal para a eventual candidatura presidencial do governador Mário Covas (PSDB-SP) ou do ministro José Serra.
A administração de Roseana no Maranhão é considerada revolucionária. Ela acabou com todas as secretarias de governo, reduzindo suas estruturas para gerências estaduais. Ao todo, ela extinguiu secretarias e reduziu o número de autarquias e fundações de 45 para 27. O PIB do Estado cresceu bem mais nos últimos anos do que a média nacional. As contas do Maranhão são consideradas pelos próprios técnicos do Ministério da Fazenda uma das melhores do País. Por causa disso, Rosena manda um recado para os precipitados: ‘‘Minha prioridade continua sendo governar o Maranhão’’.