Roseana é intimada a depor e PFL endurece
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domingo, 07 de abril de 2002
Agência Estado 
Brasília - Menos de 48 horas depois de se afastar do governo do Maranhão para disputar as eleições, a pré-candidata do PFL à sucessão presidencial, Roseana Sarney foi intimada ontem pela Polícia Federal (PF) para prestar depoimento. Ela deverá ser ouvida no próximo dia 17, no inquérito que apura fraudes na liberação de recursos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para a Usimar, que recebeu recebeu R$ 44 milhões para fabricar componentes automotivos no Maranhão, mas nunca funcionou. O PFL reagiu imediatamente e anunciou que não votará nada esta semana no Congresso.
A intimação foi entregue na casa de Roseana ontem pela manhã. Além dela, foi intimado o marido da ex-governadora, Jorge Murad. O depoimento dele está marcado para amanhã. Assim que tomou conhecimento da convocação, Murad telefonou para o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, em Brasília, que embarcou às pressas para São Luís. Me julgo no direito de achar estranho que a PF procure a governadora num domingo e, em sua residência, para depor em um processo de 2001, disse o advogado, para quem a atitude da PF foi ilegal e absurda.
Enquanto não houver liberdade, não se vota nada no Congresso, reagiu o presidente nacional da legenda, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC). Ele prepara uma nota de protesto contra o presidente Fernando Henrique Cardoso e os presidentes do Superior Tribunal de Justiça (STF), ministro Marco Aurélio Mello, e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nelson Jobim. Foi mais uma violência, completou Bornhausen.
A iniciativa da PF do Maranhão não desagradou apenas políticos do PFL, mas também procuradores e até mesmo delegados envolvidos nas investigações das fraudes na extinta Sudam. Foi uma atitude precipitada que pode gerar prejuízos às investigações, afirmou um dos envolvidos na apuração das irregularidades na Usimar.
O receio dos investigadores é que, por causa da decisão do delegado da PF, haja um questionamento no trabalho dos procuradores federais e policiais, principalmente pelo fato de a intimação ter sido feita há menos de dois dias após a renúncia de Roseana.


