No depoimento à Justiça Federal que durou exatos 20 minutos, ontem à tarde, a ex-primeira-dama Rosane Collor de Mello negou responsabilidade sobre a compra fraudulenta de 1,6 milhão de quilos de leite em pó, quando presidia a Legião Brasileira de Assistência (LBA) em 1991. No rápido interrogatório, Rosane não teve de responder à principal acusação contra ela: a de ter recebido, em sua conta bancária, cheques ‘‘fantasmas’’ do esquema PC, originários de empresas beneficiadas na licitação da LBA.
O juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal, limitou-se a interrogar a ex-primeira dama sobre sua conduta na renovação de um contrato superfaturado com indústrias de leite em pó. Além de acusar Rosane Collor de desviar patrimônio público em proveito de empresários, a denúncia apresentada pelo Ministério Público apontou ainda o esquema de corrupção do qual ela teria se beneficiado.
A licitação fraudulenta para a compra inicial de 4,8 milhões de quilos de leite em pó ocorreu em setembro de 1989, quando Rosane ainda não havia assumido a presidência da LBA. Segundo a denúncia, o preço do produto das empresas vencedoras da licitação era três vezes superior ao valor de mercado.

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