Acusada de corrupção quando presidiu a Legião Brasileira de Assistência em 1990, a ex-primeira-dama do País, Rosane Collor de Mello, depõe hoje na 12ª Vara da Justiça Federal, em Brasília. De acordo com a denúncia, que foi apresentada pelo Ministério Público Federal, Rosane teria desviado patrimônio público em proveito de empresários das indústrias de leite em pó e, ainda, recebido ‘‘altos valores’’ em sua conta bancária.
Ainda segundo a denúncia do Ministério Público, em setembro de 1989, ou seja, antes da chegada de Rosane à LBA, o órgão realizou uma licitação pública para a compra de 4,8 milhões de quilos de leite em pó. Com a oferta de preços superfaturados, sagraram-se vencedoras as empresas CCPL (Cooperativa Central de Produtores de Leite Prolácteos), a Planalto S.A. Indústrias Alimentícias e a Companhia Goiana de Laticínios.
Estas empresas ofereceram o produto com o preço de NCz$ 23,50 por quilo, o que corresponderia a aproximadamente R$ 11,50 hoje. Na época, no entanto, produtos similares estavam sendo comercializados no mercado por um terço do valor.
A denúncia do MP continua acusando Rosane de ter tomado conhecimento das irregularidades, assim como de outras que teriam ocorrido no mesmo processo licitatório, quando assumiu a presidência da LBA. A ex-primeira-dama, no entanto, não teria tomado qualquer providência para interromper o processo ou suspender o fornecimento de leite. Ao contrário, teria dado continuidade ao esquema de corrupção.
‘‘Mesmo cientificada das irregularidades, prosseguiu com a negociata; entretanto, sua intenção criminosa restou ainda mais evidenciada quando foram encontrados em sua conta corrente altos valores depositados por pessoas ligadas ao notório esquema de corrupção do governo federal comandado por PC Farias’’, diz a denúncia.
Ainda no relato sobre a participação de Rosane Collor no processo e sua ligação com o esquema de PC, o documento do MP diz que a ex-primeira-dama fraudou a licitação e desviou dinheiro da Legião Brasileira de Assistência em favor dos empresários vitoriosos no processo licitatório. Em contrapartida, os empresários depositavam valores em contas de fantasmas do esquema PC que se encarregavam de repassar os recursos para a conta pessoal de Rosane.
Além de co-autoria em desvio de dinheiro público, a ex-primeira dama vai responder por fraude em concorrência pública e recebimento de vantagem indevida.

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