Roriz é confirmado em disputa apertada
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domingo, 25 de outubro de 1998
Cláudia Carneiro e Isabel Braga 
Com uma disputa dramática, voto a voto, o ex-governador Joaquim Roriz foi escolhido ontem o novo governador do Distrito Federal. Com 97,7% das seções apuradas, Roriz liderava a disputa com 51,68% dos votos válidos enquanto o atual governador do PT, Cristóvam Buarque, tinha 48,32% . Neste segundo-turno da eleição, Roriz ganhou parte do apoio dos tucanos, conseguindo trazer para si o voto de boa parcela dos eleitores do candidato derrotada no primeiro-turno, senador José Roberto Arruda (PSDB).
O resultado em Brasília contrariou pesquisa de boca-de-urna feita pelo Instituto Ibope, que apontava o governador petista Cristovam Buarque como o vencedor das eleições no Distrito Federal (DF), com 52% dos votos válidos, contra 48% de Roriz. O diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, em entrevista à TV Globo, chegou a afirmar que deixaria de realizar pesquisas eleitorais por dois anos se Cristóvam não fosse eleito. No primeiro turno, a pesquisa do Ibope dava Roriz em primeiro lugar e na apuração mostrou vitória de Cristóvam.
A eleição em Brasília foi marcada por muita disputas, com os dois candidatos contando com uma vitória apertada e uma militância ostensiva tentando virar votos até a última hora para um dos candidatos. A votação foi marcada por incidentes entre militantes dos dois lados, prisão de manifestantes que faziam boca-de-urna, e apreensão de ônibus transportavam eleitores de Roriz e até mesmo de um carro da Polícia Civil do DF, que distribuia material de campanha do candidato do PMDB. Quatro militantes do PT deram entrada no Hospital de Base, feridos em confronto com militantes de Roriz.
Roriz conseguiu a maior parte de seus votos nas regiões mais pobres de Brasília. E a abstenção no Plano Piloto de Brasília, principal reduto eleitoral de Cristóvam, foi mais alta do que na eleição de 4 de outubro. O ex-governador Joaquim Roriz só foi votar às 13h30, depois de passar toda manhã em sua casa, localizada numa região nobre de Brasília, fazendo mistério sobre sua aparição.
O candidato do PMDB votou em seu maior reduto eleitoral, a cidade satélite de Samambaia, criada por ele em seu governo com o programa de doação de lotes. Roriz chegou a perder seu título de eleitor quando saia do colégio. A votação do ex-governador acabou se transformando em uma festa, com os centenas de eleitores disputando, com empurrrões, um espaço ao lado dele. Roriz não deu qualquer entrevista à imprensa e transformou sua residência em sede de um potente esquema de fiscalização para acompanhar a votação.
A chegada de Cristóvam na sua seção de votação na manhã de ontem também foi muito animada. Adultos e crianças, vestidos de vermelho e carregando bandeiras e todo o aparato da propaganda petista, se aglomeraram ao redor do candidato que levou mais de 15 minutos para chegar à urna de votação. Alheios ao apelo discreto dos representantes da Justiça Eleitoral na seção, os militantes eufóricos gritavam palavras de ordem saudando o governador e já lançando sua candidatura à Presidência da República em 2002.
Durante todo o dia, Cristóvam percorreu várias cidades satélites do DF e encerrou a maratona em Ceilândia, maior colégio eleitoral da capital Federal, que mostrava uma divisão total dos eleitores entre os dois candidatos. Mesmo com o fim da eleição, a briga entre Roriz e Cristóvam continua na Justiça.
A coligação que apóia o governador petista entrou no sábado pela manhã com processo na Justiça Eleitoral por crime de calúnia contra Roriz, que no último debate da televisão responsabilizou Cristóvam por duas vezes por assassinatos ocorridos durante a desocupação da favela da Estrutural. Na segunda-feira, os advogados de Cristóvam dão entrada na Justiça comum com ação de perdas e danos.


