São quatro meses de campanha, segundo o próprio candidato, mas Roque Zimmermam, o padre petista de 62 anos que quer ser governador do Estado parece disposto e cheio de energia quando desembarcouno aeroporto de Cornélio Procópio, na manhã de anteontem.
Às 10h15, depois de pernoitar em Campo Mourão, acompanhado de apenas dois assessores, ele aterrisou em um monomotor Cessna 182 (PT JSE), de quatro lugares, pertencente ao advogado Darci José Legnani.
Em solo, uma frota de carros particulares aguarda para dar início a primeira das sete carreatas. No pequeno saguão, não há agitação. Nem grupos de católicos, nem prefeito, nem outras autoridades, nem repórteres de rádio ou de televisão. Não há fotógrafos da cidade. Tampouco assessores de imprensa ou equipe de marqueteiros.
Padre Roque aporta em Cornélio, a principal cidade do seu périplo pelo Norte do Estado, sem registros. Nos outros seis municípios, a recepção é ainda mais enxuta, embora exatamente com o mesmo perfil. A perspectiva de desgaste provoca a primeira reclamação. ''Estou muito animado!...Mas também tô cansado''.
Um pretendente a Assembléia Legislativa cede o primeiro carro: um Escort azul coberto de propaganda, mas sem adesivos de Zimmermann. A carreata foi barulhenta, de acenos tímidos, com a chuva ambientalmente incorreta dos santinhos. Mais indiferença que euforia. Respeito muito mais que hostilidade as que existiram foi na forma malcriada da linguagem dos sinais. Na Avenida XV de Novembro começa o corpo-a-corpo.
E lá vai o padre. Ritmo lépido e um cuidado especial com o eleitorado feminino. ''Tem que votar 13 de cabo a rabo. No dia 7, já começa a melhorar um pouquinho''. Entra em padaria, sorveteria, sebo com revistas masculinas, loja para pescador, loja de roupas (''Ô padre, tem que gastar um pouquinho também'', a vendedora não perdoa). Em uma farmácia, a pedida da dona do estabelecimento, comanda a oração por clientes e proteção. Em outra, compra Endcoff e Vick. Tosse insistente. ''Põe na conta do Johnny''. Aponta para um correligionário local.
Como um maratonista, recebe garrafas de água sem olhar para quem faz a gentileza. Sobe escadas. Apressa o ritmo. O calor de Cornélio já é impiedoso quando ele começa a almoçar um sortido prato de salada e a falar em Luiz Ignácio Lula da Silva, quase uma obsessão altruísta na reta final de campanha. Antes falou à audiência petista. Primeiro fala em mudar o Brasil, a Câmara Federal. Depois fala em um jeito diferente para governar o Paraná e pede o esforço para a formação de uma base do partido no parlamento estadual.

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