O presidente da Câmara de Londrina, José Roque Neto (PTB), tomou uma atitude inusitada e polêmica em sua primeiro semana de trabalho no legislativo municipal. Sem consultar outros vereadores, ele determinou a retirada dos adesivos de identificação da Câmara Municipal na frota oficial -composta por três veículos (um Clio, um Polo e um Corsa).
No início de 2009, apenas um veículo era adesivado. Os outros dois receberam a identificação por iniciativa do vice-presidente, Jairo Tamura (PSB), que comandou interinamente o Legislativo enquanto Roque Neto exerceu o mandato tampão de prefeito.
De acordo com o presidente da Câmara, a medida foi tomada visando evitar vandalismo contra os carros. ''Já tivemos carros que foram riscados no estacionamento da Câmara e temos que cuidar do patrimônio público'', disse. Pelo raciocínio do vereador, ''a base de um vereador pode não se contentar (com a de outro parlamentar)'' - o que explicaria o ato de vandalismo. O vereador acrescentou que a medida não visa ''interesses escusos'' e avaliou que as placas oficiais já permitem a identificação dos veículos pelos eleitores. Enquanto era questionado pela imprensa, Roque Neto acabou admitindo que pode reavaliar a retirada dos adesivos.
A medida desagradou em cheio os parlamentares ouvidos pela FOLHA - a começar pelo vice-presidente, Jairo Tamura. ''Acho que sem a identificação pode facilitar o mau uso dos carros. A gente tinha colocado o adesivo exatamente para dar transparência aos trabalhos da Câmara.''
Sebastião Raimundo da Silva (PDT) também criticou Roque Neto. ''Isso não poderia acontecer; está errado. Acho que ele deve rever a medida.'' Rodrigo Gouvea (PRP) fez coro às críticas. ''É uma medida impensada. Se é carro oficial, tem que ter identificação.''
Veto
Na sessão de ontem na Câmara, Roque Neto protagonizou outra cena curiosa ao votar pela derrubada de veto do Executivo a projeto de lei, de iniciativa de Rodrigo Gouvea, que autoriza instalação de banheiros químicos em feiras livres. Detalhe: o veto é de sua próprio autoria - baixado enquanto foi prefeito interino.
Ao justificar o recuo, Roque Neto afirmou que a condição de vereador ''sem dúvida é mais confortável''. Ele também alegou que uma gestão permanente terá mais facilidade para viabilizar os recursos necessários para a implantação dos banheiros.

mockup