O vereador José Roque Neto (PTB) afirmou ontem que está ''muito tranquilo'' a respeito da investigação aberta pelo promotor de Patrimônio Público de Londrina, Renato de Lima Castro, sobre a falta de licitação no ''Mutirão da Saúde'' realizado em abril de 2009 na gestão interina do petebista como prefeito interino do município. Segundo o promotor, mais três pessoas foram ouvidas ontem pelo Ministério Público (MP) sobre o caso. A investigação visa apurar irregularidades na contratação do hospital de otorrinolaringologia, Otocentro, por R$ 953 mil, para prestar 600 tratamentos para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), que estavam na fila de cirurgia há anos.
Segundo Lima Castro, foram ouvidos no início da semana pelo MP o diretor do Otocentro, Koki Kitahara e o ex-secretário de Saúde Aparecido José de Andrade, da gestão Roque Neto. O MP coletou ontem o depoimento de procuradores do município - que não tiveram seus nomes divulgados - e da ex-diretora da autarquia de Saúde Zandira Batista. O promotor afirmou que Roque Neto ''será ouvido no início da próxima semana''. ''Ainda não temos novidades. Precisamos coletar todos os depoimentos para concluir a investigação'', explicou.
O vereador afirmou que ainda não soube oficialmente da investigação, mas que já conversou com seu ex-secretário de Saúde sobre o caso. ''Eu não sou técnico jurista e minha função foi dar carta branca para que o Mutirão fosse realizado. Eu não sei explicar tecnicamente por que não houve licitação, mas quem trabalhou comigo sabe. Eu confiei na justificativa dada pelo secretário na época'', salientou. Roque Neto se refere à inexigibilidade - falta de clínicas que fizessem o mesmo serviço na cidade - alegada pela Secretaria de Saúde para contratar o hospital sem licitação.
Roque Neto ressaltou ainda que o hospital fez um preço baixo pelos tratamentos e, por isso, não houve qualquer dano aos cofres públicos com a contratação. ''O doutor Kitahara fez um preço de SUS para que a gente aliviasse a fila de quem estava há muito tempo esperando por cirurgias. Mas, o MP está fazendo o seu trabalho, e se cometemos algum erro vamos ter que esperar a investigação e ver como podemos consertar isso.''
O ex-secretário de Saúde Aparecido José de Andrade explicou que todo o contrato foi feito de acordo com a lei, e que com a aprovação da Procuradoria Jurídica da Prefeitura na época. ''Quando a ideia do mutirão surgiu, avisamos todas as clínicas e médicos da cidade e fizemos três reuniões na Associação Médica de Londrina, somente a Otocentro compareceu. Não fizemos licitação por esse motivo, não havia ninguém interessado em fazer o serviço. E o mais importante é que resolvemos a vida de mais de 600 pacientes num hospital particular, com o preço de tabela do SUS'', finalizou.
O médico Koki Kitahara novamente não foi encontrado pela reportagem da FOLHA para comentar o assunto.

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