O deputado federal Roque Zimmermann (PT), o Padre Roque, disse ontem, em Londrina, que uma das casas do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, pode ter sido usada como ponto de tráfico de drogas. Membro da CPI nacional do Narcotráfico, Padre Roque afirmou que a comissão recebeu diversas denúncias contra o ex-secretário. Paolicchi é o principal acusado pelos desvios de R$ 3,1 mihões da Prefeitura de Maringá e teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça Federal. Ele está foragido.
Segundo Padre Roque, Paolicchi estava sendo investigado pela CPI do Narcotráfico desde o final do ano passado. ‘‘Mas algumas denúncias eram pouco consistentes e só começamos a trabalhar mais intensamente sobre o Paolicchi quando soubemos de seu envolvimento com Hissam Hussein (traficante da região metropolitana de Curitiba que está preso), que vendeu para ele um helicóptero’’, afirmou. Em Maringá, o advogado Moisés Zanardi disse que o ex-secretário vai se apresentar ‘‘nos próximos dias’’. ‘‘Ele vai ser recolhido e fazer sua defesa pessoal. Ao advogado cabe a defesa processual’’, afirmou.
Segundo o deputado federal, a CPI também recebeu denúncias de que um avião pertencente a Paolicchi era usado para o tráfico de drogas e nunca era importunado. ‘‘Tivemos denúncias, mas não tivemos provas. Agora ficará mais fácil juntarmos os fatos e o Ministério Público poderá colocar os pontos nos is’’, afirmou. O advogado disse à Folha que não foi contratado para defender o ex-secretário sobre tráfico de drogas e não tem conhecimento dessas denúncias.
A ação de improbidade adminsitrativa contra Paolicchi foi proposta no mês passado pelo promotor José Aparecido da Cruz. Após seis meses de investigações, o promotor confirmou um rombo de R$ 2 6 milhões na prefeitura. Paolicchi também responde a uma ação criminal proposta pela Procuradoria da República. Ele é acusado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e peculato.
Além de decretar sua prisão preventiva, a Justiça decretou a quebra de sigilos bancário e fiscal e a indisponibilidade de seus bens. O ex-secretário recebia salário de R$ 4 mil/brutos na prefeitura mas tem um patrimônio estimado em R$ 15 milhões. No entendimento de Zanardi, apesar de ser preso, seria melhor Paolicchi se apresentar do que ser capturado pela Polícia Federal (PF). A PF pediu ajuda à Interpol (polícia internacional) para localizar o ex-secretário.
As denúncias contra Paolicchi acabaram envolvendo o prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (PSDB), que também foi denunciado por improbidade administrativa e pode ter sua prisão preventiva requisitada pelo MP.
O Movimento pela Ética na Política de Maringá vai colocar um representante junto ao MP para acompanhar os desvios de recursos públicos e levar informações à comunidade. Segundo os advogados Mateus Felipe de Castro, membro do Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH) e da OAB e Alberto Abrão Vagner da Rocha, do MNDH e do Centro Patriótico Tiradentes, o objetivo é ‘‘aproximar a comunidade do caso.’’ (Colaborou Marcos Zanatta)

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