O vereador Rony Alves (PTB) virou réu no processo que apura a aproximação dele do delator da Operação ZR-3, o agricultor Junior Zampar, no final de 2018 no estacionamento de uma agência bancária da avenida Santos Dumont, zona leste de Londrina. Na época, o parlamentar, também investigado em uma ação criminal do suposto esquema para alterar o zoneamento de áreas específicas da cidade, deveria manter distância da testemunha.

Imagem ilustrativa da imagem Rony Alves vai responder por ameaçar delator da Operação ZR-3
| Foto: Devanir Parra/CML

Segundo a denúncia de coação do Ministério Público aceita na última sexta-feira (26) pelo juiz da 2ª Vara Criminal, Delcio Miranda da Rocha, Zampar sacou dinheiro do caixa eletrônico e, quando já acessava o estacionamento, viu um carro preto chegando e percebeu que Rony Alves estava dirigindo. Ele desceu do veículo e, conforme os promotores Jorge Barreto da Costa e Leandro Antunes, chamou o agricultor pelo nome, questionando-o "o porquê de ter feito aquilo (denunciar a eventual organização criminosa)".

De acordo com o MP, Junior Zampar teria dito que "aquele não era o momento nem o local adequados para conversarem" e se afastou do político, que o teria perseguido e "intimidá-lo". Por ter descumprido a medida cautelar, Alves foi preso no dia 22 de dezembro por policiais do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), mas terminou solto pelo Tribunal de Justiça no começo de janeiro.

A FOLHA não conseguiu contato com a defesa do vereador, que está afastado da Câmara Municipal desde o começo de 2018, quando a ZR-3 foi deflagrada. O mesmo TJ suspendeu há duas semanas o pagamento de R$ 12 mil mensais a Rony. Outro parlamentar réu na apuração do Gaeco é Mário Takahashi (PV), que já voltou para o Legislativo e tenta derrubar na Justiça a determinação de não frequentar o prédio da Prefeitura de Londrina. O caso ainda não foi analisado pelo juiz Delcio da Rocha.

Os interrogatórios dos 13 réus da ZR-3 estão previstos para 21 de agosto.

O que diz a defesa de Rony Alves:

O TJ (Tribunal de Justiça) do Paraná, em Habeas Corpus revogou a prisão preventiva de Rony Alves. Os vídeos das câmeras de segurança do local em que os fatos ocorreram e que disponibilizamos para a imprensa, são provas contundentes de que o Vereador e Junior Zampar se encontraram por acaso e em momento algum foram proferidas ameaças. O recebimento da denúncia pela 2ª Vara Criminal de Londrina não significa eventual condenação. Como já reconhecido pelo Tribunal de Justiça do Paraná, não houve o cometimento de nenhum crime por parte de Rony Alves. Confiamos na justiça londrinense que certamente, tal qual fez o Tribunal de Justiça, reconhecerá a inocência do vereador.

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