Brasília - Os depoimentos de Ronivon Santiago (PP-AC) e Chicão Brígido (PMDB-AC), ocorridos ontem na CPI do Mensalão, frustraram mais uma vez a tentativa da bancada governista em investigar a compra de votos para a aprovação, em 1997, da emenda constitucional da reeleição. Acusados de receber R$ 200 mil para votar a favor do projeto que interessava ao então presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), as falas de Ronivon e Brígido não acrescentaram novidades às investigações que, por ora, permanecem sem avanço desde a época da denúncia.
Nos depoimentos de ontem, os integrantes da CPI demonstraram falta de preparo para questionar - principalmente, Ronivon. Em conversa gravada em 1997, o deputado admite que ele e outros quatro colegas acreanos receberam R$ 200 mil para votar a favor da emenda da reeleição.
Entre os nomes citados por Ronivon, aparece o de Chicão Brígido, que é atual suplente dele. Ontem, durante seu depoimento à CPI, Ronivon reconheceu que a voz que aparece na gravação é sua. Porém, negou a denúncia. Disse que a fita foi montada com trechos para incriminá-lo.
Os integrantes da CPI tiveram dificuldades para contradizê-lo. ''Parece que eles não ouviram a fita nem leram o laudo técnico'', disse Ronivon, depois da audiência. ''Não sei dizer se isso me favoreceu'', completou o deputado acreano.
O relator da CPI, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), chegou a dizer que as gravações foram conseguidas por um grampo telefônico. Na verdade, as gravações foram feitas pessoalmente pelo interlocutor identificado apenas como ''Senhor X''. ''Não houve telefonema, relator'', insistiu Ronivon a Abi-Ackel.
O deputado João Correia (PMDB-AC) reconheceu que os deputados demonstraram despreparo durante as audiências. ''A maioria não estudou ou sequer viu os documentos. Nunca houve telefonema'', disse. O peemedebista admitiu ainda que as investigações sobre a compra de votos em 1997 foram incluídas como objeto da CPI ''apenas para fazer contraponto político às denúncias do mensalão''.
Ontem, o relator Abi-Ackel teve nova discussão com o deputado Luiz Couto (PT-PB) sobre o rumo das investigações. O petista quer que sejam apurados fatos no governo FHC. Na semana passada, o relator já havia respondido em tom irônico que fossem apurados casos ''desde 7 de setembro de 1822''. Ontem foi a vez do presidente da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), provocar Couto. ''Então vamos instaurar processo contra Tiradentes'', disse.

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