O governador de Rondônia, o paranaense José de Abreu Bianco (PFL), aposta que nos próximos anos seu Estado vai passar por um novo ciclo migratório. Mas ao contrário do que ocorreu nas décadas de 70 e 80, quando a Rondônia batia recordes sucessivos de crescimento populacional, desta vez a explosão será de investimentos. Segundo ele, o Estado tem concentrado esforços para receber novas empresas – sobretudo do setor da agroindústria. A redução do ICMS, dependendo do número de vagas que a empresa gerar, pode chegar em até 90%.
‘‘No começo, quem foi para Rondônia estava em busca de terras e oportunidades. A maioria não tinha recursos e procurava novas perspectivas, buscando arrumar um pedaço de terra para o cultivo. Hoje, ao contrário do que ocorreu no passado, quem está chegando tem recursos. Muitos compram propriedades já formadas, o que gera lucro a curto e médio prazo’’, avaliou o governador, que esteve em Rolândia para receber o título de cidadão honorário.
Desde a aprovação da nova lei de isenção, pela Assembléia de Rondônia, Bianco tem visitado associações comerciais e industriais para tentar convencer empresários a incrementar investimentos. No ano que vem, a partir de fevereiro, ele também pretende percorrer outras regiões do País, como o Norte do Paraná, além de São Paulo e Minas Gerais, para divulgar a lei e atrair investidores. Bianco pretende visitar pessoalmente empreendedores para atrair negócios ao Estado.
Segundo o governador, o grande problema que o Estado apresentava para atração de indústrias já está sendo superado: a carência de energia elétrica. Ele informou que o Ministério das Minas e Energias está instalando em Porto Velho geradores de 400 megawatts – 200 a mais que produz a única usina hidrelétrica da região. ‘‘Esses motores consomem óleo diesel mas poderão ser revertidos para gás. E o ministério está levando um gasoduto com gás produzido na Bacia dos Solimões, no Amazonas. Rondônia será o primeiro lugar a consumir gás brasileiro.’’
Além da energia, Bianco afirmou que o Estado tem feito outros investimentos na área de infra-estrutura – como readequação de estradas, aeroportos, a instalação de um sistema de fibras ópticas para atender a telefonia, além de um porto graneleiro estabelecido em Porto Velho e a Hidrovia Madeira-Amazonas. ‘‘Além disso, somos o primeiro Estado da América Latina a instituir uma lei de zoneamento sócio-econômico-ecológico, em escala de uma para 250 mil. Foi feito um trabalho científico profundo. A nossa proposta hoje é preservar 70% de nosso território’’, enfatizou.
O governador também destaca que, ao contrário do que muita gente pensa, o tempo dos latifúndios acabou há muito em Rondônia. O Estado hoje é formado por pequenas propriedades. ‘‘Hoje temos 85 mil propriedades e quase 80 mil têm menos de 200 hectares. A verdade é que nos transformamos num Estado de economia familiar’’, afirma. Ele acrescenta que o café tem sido um dos grandes destaques, produzindo este ano cerca de 1,5 milhão de sacas. ‘‘Para o ano que vem serão de 2,5 milhões a 3 milhões de sacas.’’
Mas o principal destaque da economia de Rondônia ainda é a pecuária, com aproximadamente 6,5 milhões de cabeças de gado, sendo 1,5 milhão de gado leiteiro.

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