A prefeitura de Roncador (100 km ao sul de Campo Mourão) está fechada desde sexta-feira e só deve retomar o atendimento normal no dia 1º de agosto. ‘‘Isso se conseguirmos colocar a casa em ordem’’, admite o prefeito Odilon Andreoli Gonçalves (PSDB). Apesar de considerar a medida drástica, ele diz que pode manter o fechamento da prefeitura por mais tempo.
Gonçalves espera economizar R$ 150 mil para ajudar no pagamento de precatórios trabalhistas. A prefeitura deve cerca de R$ 2 milhões em 12 precatórios. Outros 27, totalizando R$ 2 milhões, foram pagos nos últimos quatro anos. A administração tem um comprometimento de R$ 35 mil mensais, nos próximos três anos, para saldar dívidas trabalhistas.
Com o fechamento da prefeitura, apenas as áreas de educação e limpeza pública continuarão funcionando normalmente. A saúde segue atendendo, mas o horário de funcionamento do posto será reduzido. Antes fechava às 17 e agora encerrará o expediente às 13 horas. Dos 340 servidores municipais, cerca de 100 ficarão em casa ‘‘à disposição da prefeitura’’.
‘‘Vai parar quase tudo’’, confirma Odilon Gonçalves. O parque de máquinas, por exemplo, ficará totalmente paralisado, devendo gerar uma economia mensal de R$ 50 mil. ‘‘Atendimento nas estradas rurais só em caso de emergência, em trechos intransitáveis’’, diz o prefeito. O próprio Gonçalves deverá despachar de casa, para economizar telefone e energia elétrica.
Segundo o prefeito, uma campanha de esclarecimento vem sendo realizada para explicar à população os motivos do fechamento da prefeitura. ‘‘Estamos mostrando a Lei de Responsabilidade Fiscal e a comunidade está entendendo’’, frisa. ‘‘A minha popularidade pode cair, mas a credibilidade não’’, destaca. Ele avalia que a medida trará tranquilidade administrativa no futuro.
Roncador não é o único município do Estado com problemas para pagamento de precatórios. Ao todo, 271 municípios paranaenses têm dívidas trabalhistas. Na região de Campo Mourão, somente Goioerê deve R$ 4,5 milhões. ‘‘É um absurdo’’, diz o prefeito Antônio Bernardino Sena (PMDB). Em Ubiratã, a dívida é de R$ 300 mil. ‘‘Não tenho previsão para pagar’’, avisa o prefeito Arnaldo Sucupira (PMDB). ‘‘Paguei só os precatórios de valores mais baixos.’’

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