Curitiba - O diretor de Coordenação da Itaipu Binacional, ex-deputado federal Nelton Friedrich, anuncia amanhã se deixa seu cargo à frente da estatal. Uma decisão tomada na última sexta-feira, durante convenção do diretório nacional do PDT, partido ao qual Friedrich é filiado, determinou que os pedetistas que ocupem cargos de confiança no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem pedir afastamento de suas funções para reafirmar a independência da sigla em relação ao governo federal.
A determinação partiu do presidente nacional da sigla, ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, que acredita que Lula vem desrespeitando os compromissos firmados em campanha, tendo nomeado pedetistas para cargos de confiança sem consultar a cúpula do partido. Um dos nomeados foi o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, com quem Brizola tem desavenças. Segundo Brizola, os membros que não seguirem a determinação podem ser suspensos ou expulsos da legenda. Friedrich e Teixeira são os únicos integrantes do PDT no primeiro escalão do governo federal.
Friedrich prometeu anunciar se deixa ou não a direção de Coordenação da Itaipu amanhã. ''Nenhuma decisão foi tomada ainda. É preciso lembrar que vários parlamentares assinaram documentos pedindo que a reunião do diretório não fosse realizada'', destacou. O diretor destacou os pedidos feitos por oito deputados federais e pelos cinco representantes do PDT no Senado para que a reunião fosse adiada.
Para o presidente do PDT no Paraná, senador Osmar Dias, o partido precisa de tempo para discutir. ''É uma decisão controversa. O PDT já vinha atuando com independência em relação ao governo federal. A decisão de entregar os cargos de pedetistas sugere um rompimento com o governo, uma guinada para a oposição, com a qual os cinco senadores do partido e grande parte da bancada de deputados ainda não concorda'', ressaltou Osmar.
Dentro do PDT, Brizola é a voz mais empenhada na tentativa de levar a sigla para a oposição a Lula, mas sabe que não pode tomar decisões totalmente à revelia de sua bancada parlamentar. A reunião foi uma tentativa de iniciar um rompimento gradual com o governo federal. ''Fomos sensíveis aos apelos vindos de senadores e deputados, de que deveria haver um compasso de espera e que a independência é a posição mais adequada, mas isso não impede a exigência de que esses companheiros que estão no governo deixem logo seus cargos. Não pode haver independência se o partido ocupa funções de confiança'', afirmou Brizola.
Segundo Osmar Dias, a decisão de Friedrich é inteiramente pessoal. ''Não conversei com ele sobre o assunto, e cada ocupante de cargo terá que decidir por si mesmo. Mas acredito que ele deva se manter no cargo, uma vez que não houve um rompimento definitivo com o governo'', salientou Osmar, que afirmou que a decisão do diretório nacional não tem maiores repercussões estaduais. ''Quando fui indicado pelo Brizola para assumir a presidência do PDT no Paraná, ele me garantiu liberdade total de ação. Vamos continuar nosso trabalho como vínhamos fazendo'', garantiu Osmar.

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