O rompimento político entre o governador Jaime Lerner (PFL) e a vice-governadora Emília Belinati (PTB) foi formalizado ontem, na cerimônia de posse. O verniz era de tranquilidade, mas Lerner e Emília protagonizaram constrangimentos e momentos de tensão para os aliados políticos que lhes asseguraram a reeleição. Os dois mal conversaram. A vice-governadora cumpriu a promessa e não compareceu na cerimônia de posse do secretariado no Palácio Iguaçu. Emília resumiu a sua presença ao juramento e à assinatura do termo de sua posse como vice, na Assembléia Legislativa, porque era obrigada por lei sob pena de perder o cargo.
O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), tentou contemporizar mas não obteve êxito. O governador se empenhou para manter as aparências, mas a vice não escondia, com caras e bocas, a sua irritação com o tratamento que vem recebendo. Emília não aplaudiu o discurso do governador e em nenhum momento dirigiu seu olhar para Lerner na cerimônia conjunta de posse. ‘‘A minha decisão já está tomada e todo mundo sabe. O secretariado é um caso superado. Vamos concentrar o nosso esforço agora para cumprirmos aquilo que prometemos durante a campanha. Quando tiver que elogiar, vou elogiar. Quando tiver que criticar, vou criticar’’, anunciou a vice.
Kraw PenasSem a vice...Lerner e a primeira-dama Fani deixam a Assembléia em direção ao Iguaçu, onde aconteceu a posse dos secretáriosO governador posou para fotografias ao lado da vice, mas sem trocar palavras. Lerner disse que na semana que vem pretende promover uma reunião com Emília. Não explicou para que e nem se pretende fazer alguma oferta, na tentativa de reverter a crise. ‘‘Para mim esse assunto está encerrado’’, declarou na entrevista aos jornalistas, minutos antes de ser chamado pelo presidente da Assembléia, para tomar posse. No discurso que marca o início do segundo mandato, Lerner citou Emília primeiro. ‘‘Excelentíssima senhora vice-governadora, a quem registro a minha homenagem, com a certeza de que o Paraná terá sempre em seu nome um elevado referencial’’, disse para a vice, que estava virada para o outro lado.
‘‘Esse será um governo com compromissos de continuidade, mas será principalmente um governo de grandes inovações’’, prometeu durante sua fala. ‘‘Vamos começar dizendo um grande não a esse nefasto sentimento de catástrofe que muitos querem impor ao País. Quem projeta a tragédia, colha a tragédia. Quem projeta o sucesso, colhe o sucesso. O Paraná e o Brasil são maiores que as dificuldades presentes e é esse sentimento que precisa prevalecer em nossos corações’’, sugeriu. Lerner agradeceu os cerca de 2 milhões de votos que lhe asseguraram a reeleição e pediu ainda que os paranaenses contribuam ‘‘decisivamente para que o presidente Fernando Henrique Cardoso possa consolidar o seu projeto de um País mais justo’’.
Depois das duas cerimônias, na Assembléia e no Palácio Iguaçu, por volta das 13 horas, o governador viajou de avião para Brasília. Ele e um grupo de políticos do Paraná iriam acompanhar a posse do presidente Fernando Henrique, marcada para as 17 horas no Congresso Nacional e às 18 para o Palácio do Planalto. O presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco; o ex-governador José Richa; e os novos secretários da Educação, Alcyone Saliba, e do Trabalho, Alex Canziani, integraram o vôo reservado do governador. Além de prestigiar Fernando Henrique, Lerner foi acompanhar de perto a posse do único ministro do Paraná, o de Esportes, Turismo e Juventude, Rafael Greca.

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