As irregularidades no Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), entre 1998 e 2000, envolvem recursos de pelo menos R$ 741.756,34 e foram detectadas pela auditoria da prefeitura de Londrina. O valor sob suspeita é quase metade do repasse feito pelo município ao Provopar durante esse período (R$ 1,6 milhão). A principal acusada é a ex-gerente do programa, Maria Cristina Campos, demitida no início do ano por justa causa depois que a auditoria encontrou os primeiros indícios de irregularidades. Em sua conta bancária foram depositados pelo menos R$ 250 mil.
Segundo o auditor Osvaldo Alves de Lima, durante o levantamento ficou provado que houve falsificação de cheques, adulteração de notas fiscais e o desaparecimento de doações feitas à entidade. O dinheiro desviado deveria ter sido aplicado em programas de auxílio a população carente.
As contas do Provopar começaram a ser auditadas há 30 dias após uma solicitação do Conselho Municipal de Assistência Social. Lima explicou que a maioria dos cheques suspeitos foi emitido diretamente ao portador e grande parte desses recursos teria sido depositado diretamente na conta da ex-gerente e de seu marido, Odair Barbaresco.
Segundo o auditor, a microfilmagem em cheques do Banco do Brasil revelou que na conta pessoal da ex-gerente teriam sido depositados R$ 250 mil. Lima ainda aguarda a microfilmagem de cheques do Banestado emitidos pelo Provopar. ‘‘Tudo indica que mais R$ 183 mil pelo Banestado foram parar nessa conta’’, afirmou o auditor.
Como exemplo de falsificação de cheques, Lima apontou a adulteração ‘‘grosseira’’ de um cheque de R$ 1.312 em nome da ex-gerente para R$ 6.312. Ele também se mostrou surpreso com duas cópias diferentes enviadas pelo BB para um mesmo cheque, depositado na conta de Maria Campos, uma delas com visto de um suposto gerente. ‘‘Vamos mandar o relatório ao Ministério Público para que tome as medidas criminais e para a Procuradoria-Geral do município para as providências cabíveis’’, disse.
O relatório da auditoria também revelou a emissão de cheques ao portador sem comprovantes num total de R$ 80 mil e o lançamento de uma nota fiscal de R$ 12 mil, onde o responsável pelo documento confirmou não ter prestado serviços ao Provopar. A segunda da nota está em branco. Outra irregularidade foi a venda de sucatas doadas pela Sercomtel e que resultou em R$ 101 mil ao Provopar, mas somente R$ 17 mil foram contabilizados pela administração do programa. O relatório da auditoria – concluída ontem – será encaminhada hoje cedo ao Provopar com a recomendação para que o documento seja encaminhado rapidamente para o MP.
‘‘Queremos o dinheiro de volta e que os culpados sofram as penalidades previstas em lei’’, afirmou o prefeito Nedson Micheleti (PT). Ele disse ainda que os documentos mostram que somente a ex-gerente teria culpa. ‘‘Pelo que apuramos foi sem a conivência da coordenadora (Cristina Barros). A omissão maior foi da auditoria da prefeitura (na adminsitração anterior).’’

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