Rombo na Caapsml pode restringir repasses de R$ 178 mi para Londrina
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terça-feira, 09 de maio de 2017
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Com o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) vencido desde o último dia 7 de abril, a Prefeitura de Londrina corre o risco de ficar sem R$ 178,2 milhões em transferências voluntárias, vindas da União para investimentos e obras de infraestrutura. O maior volume, de R$ 124,7 milhões, já contratado junto à Caixa Econômica Federal (CEF), na modalidade operação de crédito, é destinado à instalação do Super Bus, com troca de abrigos e construções de viadutos e corredores para o transporte coletivo. A renovação do CRP foi negada porque a prefeitura deixou de cumprir propostas de saneamento para a Caixa de Assistência, Aposentadorias e Pensões dos Servidores Municipais (Caapsml), cuja dívida atuarial, a longo prazo, chega a R$ 2 bilhões.
A permanência do débito junto ao Ministério da Previdência Social pode atrasar, ainda, as sequências das obras do Arco Leste, em execução no prolongamento da Avenida Waldemar Spranger, para ligar a rodovia PR-445 à rodovia BR-369, além de recursos a fundo perdido disponibilizados pelo Ministério do Turismo, cujos projetos contemplam diversos setores, inclusive melhorias no Parque Municipal Arthur Thomas. Segundo o secretário de Fazenda e de Planejamento, Edson Antonio de Souza, o impedimento para os repasses federais já causou o primeiro saque no tesouro municipal, de R$ 350 mil, para pagar a empreiteira do Arco Leste. "Após o nosso pedido de informação, a Caixa Econômica disse que poderíamos pagar com recursos próprios para cobrir depois, quando o dinheiro for liberado. Mas não teremos dinheiro para dar conta de todas as outras demandas se o certificado não for renovado logo", informou Souza.
Em tempo de orçamento deficitário a administração projeta R$ 120 milhões no vermelho no final deste ano , a recuperação da regularidade é considerada prioridade para o prefeito Marcelo Belinati (PP), que viajaria a Brasília no começo da semana para tratar do assunto. Entretanto, se a Secretaria de Políticas de Previdência Social (SPS), do Ministério da Previdência Social, mantiver a negativa, a prefeitura já tem documentação pronta para requisitar o CRP via Justiça Federal. "O momento já é delicado, existe uma previsão de deficit de R$ 120 milhões da prefeitura que estamos conseguindo equacionar, se você não puder receber recursos estaduais nem federais fica uma situação muito delicada", falou Belinati.

HISTÓRICO
De acordo com o secretário Edson Antonio de Souza, a SPS cobra solução para dois itens do saneamento da Caapsml. Ele disse que a prefeitura conseguiu, no ano passado, a aprovação dos vereadores para a transferência de servidores inativos do Fundo Financeiro (deficitário) para o Previdenciário (superavitário), com o objetivo de evitar aportes na Caapsml. Para tanto, o Executivo teve que apresentar quatro propostas de saneamento para compensar os gastos maiores no fundo saudável. Duas das propostas, entretanto, ainda não foram cumpridas; alíquota adicional de 5% sobre a contribuição patronal no magistério e a transferência do Estádio Uady Chaiben (da Vila Santa Terezinha) para o patrimônio da Caapsml.
Todas as medidas dependem da aprovação da Câmara Municipal e, no caso do estádio, há uma pendência jurídica que impede a transferência. O projeto de lei propondo o aumento da alíquota no magistério foi enviado sem o impacto financeiro e foi remetido de volta para o Executivo, que ainda não tem data para reapresentação. "A prefeitura não tinha dinheiro para fazer frente a esse aumento na contribuição", falou o secretário, reforçando que o município segue sem verba para cumprir o compromisso. "A nossa certidão venceu no dia 7 de abril e quando pedimos a nova, o Ministério apontou que não tínhamos implementado as ações que haviam ficado combinadas e é isso que suspendeu o nosso documento", completou Souza.
Embora as medidas da administração municipal tenham adiado os aportes para a Caapsml em 2016 e em 2017, há previsão de deficit de R$ 70 milhões no órgão previdenciário no ano que vem. Conforme extrato da SPS consultado pela reportagem, o município de Londrina vem mantendo a regularidade previdenciária desde 2015 mediante decisões judiciais.


