O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, revelou ontem que o déficit financeiro do Banestado chega a R$ 4,1 bilhões. A revelação foi feita momentos depois da entrega, ao presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), da mensagem de lei que prevê um acordo com o Banco Central para a privatização do banco no prazo de um ano. Para cobrir a maior parte do rombo e entregar o controle acionário do Banestado à iniciativa privada, o governo Jaime Lerner (PFL) depende de uma injeção financeira de até R$ 3,75 bilhões do Tesouro Nacional.
Crescimento da inadimplência, dívida de R$ 285 milhões do governo anterior com a Fundação Banestado de Seguridade Social (Funbep), defasagem de valores e um crescimento de R$ 200 milhões para R$ 333 milhões dos créditos tributários foram os motivos alegados pelo secretário para justificar os novos cálculos apresentados pelo governo. Em dezembro de 97, o rombo era calculado em R$ 1,7 bilhão. Dois meses depois, o passivo teria subido para R$ 2,3 bi e nos últimos dias a conta era de que seriam necessários R$ 3,6 bi para recuperar a saúde financeira da instituição, cujo patrimônio líquido atual está avaliado em R$ 500 milhões.
O governo do Estado tem pressa na aprovação da mensagem pelos deputados. Gionédis pretende firmar o acordo com o BC até o próximo dia 30 de junho, para em seguida encaminhar a matéria para a apreciação do Senado. Somente depois do sinal-verde dos senadores é que a União poderá liberar as primeiras parcelas de recursos, que segundo Gionédis, serão repassadas em forma de títulos federais. Se em um ano, o governo Lerner não sanear o Banestado, vendendo-o para a iniciativa privada, a União assume o banco, para federalizá-lo ou negociá-lo. Quem comprar o Banestado levará o Banco del Paraná, o braço do banco no Paraguai, assegurou o secretário.
O Banestado não será vendido até as eleições, garantiu Gionédis. Ele disse que até o dia 4 de outubro apenas adequações administrativas - preparatórias à privatização - serão colocadas em prática. Entre elas uma ‘mexida’ nas diretorias do banco; elaboração de um organograma mais ágil; fechamento de sucursais no interior; enxugamento das agências; corte no quadro de funcionários; e incentivo ao plano de demissões voluntárias. Gionédis disse que as novas regras serão implantadas gradativamente, ‘‘sem motivo para alarme’’ entre os funcionários. E que o governo pretende manter-se pelo menos com algumas de suas ações preferenciais, ficando como um acionista minoritário.
O secretário aceitou a convocação da Assembléia Legislativa e na segunda-feira comparecerá em plenário para ‘‘dissecar’’ a mensagem assinada pelo governador que, segundo Aníbal Khury, estará liquidada até o dia 25 próximo. Gionédis prometeu ainda tornar pública a lista dos inadimplentes do Banestado. A relação, no entanto, será parcial e se limitará aos devedores executados pela via judicial. O secretário alegou que não pode revelar os devedores, sob pena de infringir a legislação que garante o sigilo bancário.
A mensagem da privatização autoriza ainda o governo a financiar, no mesmo prazo de 30 anos e com juros de 6% ao ano, R$ 100 milhões para a capitalização da Agência de Desenvolvimento do Paraná S.A e adquirir ativos ou assumir passivos do Banestado em até R$ 4,1 bilhões. Em troca, o Estado está liberado a oferecer em caução ou em garantia ações da Copel em até R$ 450 milhões. Giovani Gionédis rebateu ontem as críticas feitas pela oposição de que no novo cálculo houve a ‘maquiagem’ de créditos com garantia real em ‘‘créditos podres’’. ‘‘Os números são reais e vou provar isso para a oposição na segunda-feira’’, prometeu.
Ângelo Vanhoni, do PT, voltou a garantir ontem que a oposição vai acionar o BC para a realização de uma auditoria nas contas do Banestado. O deputado disse que a ‘ponte’ serão os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB). ‘‘Temos suspeitas de que o governo do Estado está forjando valores para conseguir mais dinheiro do governo federal e cobrir seus furos financeiros’’, criticou.

PRÓXIMOS PASSOS

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