Curitiba – A Polícia Federal (PF) estima que os prejuízos causados à Petrobras em decorrência de fraudes em licitações de contratos para beneficiar empreiteiras e pagar funcionários públicos e agentes políticos deve chegar a R$ 19 bilhões. O cálculo está sendo feito por peritos da PF, com base em um lote de contratos investigado dentro da Operação Lava Jato, e que supera em três vezes a estimativa inicial anunciada pela estatal ainda no ano passado, de R$ 6 bilhões.
O relatório final deve ser apresentado nos próximos dias e, entre as obras que estão sendo auditadas estão a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco (Rnest), e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo a PF, os laudos que apontam o valor de R$ 19 bilhões levam em consideração não somente a corrupção destinada a agentes públicos, mas também superfaturamento de obras, jogo de planilhas e também a criação de projetos com o intuito de desviar recursos e favorecer empresas.
Os criminosos colaboradores, como o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa; e o doleiro Alberto Youssef; indicaram que os valores desviados para pagamento de propina ficava em torno dos 3% de cada contrato. Entretanto, com mais essas irregularidades identificadas pela PF, há indícios de que, na realidade, de 15% a 20% do valor dos contratos firmados entre a Petrobras e as empresas prestadoras de serviço fossem destinados à corrupção.
Segundo o delegado que coordena a Lava Jato, Igor Romário de Paula, esses índices ficam dentro da margem de elevação de preço prevista em contratos da estatal e, como está se apurando, esse limite acabava sendo muito utilizado para o pagamento irregular. As empreiteiras acusadas de formar um cartel e fraudar licitações tinham o costume de aumentar os valores dos contratos até o máximo permitido pela estatal.
"Esses laudos derrubam a tese de que a corrupção nesses contratos era de 2%, 3%. Provavelmente, vamos atingir patamares de 15% a 20% dos valores dos contratos destinados a corrupção", afirmou Igor. "A empresa, além de participar do cartel, além de ter o mercado dividido, ela ainda tinha um pagamento superior justificável por contrato", completou o delegado.

MPF

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a força-tarefa da Lava Jato trabalha com a meta de conseguir a devolução de R$ 1 bilhão do dinheiro que foi desviado da Petrobras até o fim do ano. Até o momento, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, investigados pela operação que se comprometeram a cooperar com a Justiça já devolveram cerca de R$ 700 milhões de forma espontânea. "Aquele número do balanço da Petrobras é válido, mas conservador. Não temos dúvida de que os prejuízos são significativamente maiores, mas é quase impossível fazer essa mensuração porque há uma série de efeitos em toda a cadeia de licitação", afirmou.

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