Curitiba - O líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), quer que a Comissão Especial de Investigação (CEI) criada para analisar os gastos do governo estadual com publicidade, apure também os oito anos da administração Jaime Lerner (1993-2001). O deputado, que deve ser um dos representantes de seu partido na CEI, disse ainda que vai pedir a convocação do atual ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que foi secretário estadual do Planejamento, para que deponha na comissão.
Segundo Romanelli, a ampliação do período investigado é possível com a aprovação de um novo requerimento pelo plenário da Assembléia. ''Não vamos alterar o objeto da comissão, apenas ampliaremos o período analisado'', afirmou. A criação da CEI, proposta pelo deputado oposicionista Marcelo Rangel (PPS), foi aprovada na última terça-feira. A princípio, ela vai investigar os gastos da Secretaria de Estado de Comunicação Social (SECS) com publicidade e propaganda nos últimos dois anos.
Ontem, Rangel afirmou não ver problemas em ampliar o período das investigações. Mesmo assim, acusou o líder do governo de estar criando uma ''cortina de fumaça'' para desviar a atenção em relação ao objetivo original da CEI. ''O governo Requião afirmou que não faria o mesmo que o Lerner em relação aos gastos com publicidade, mas fez pior, já que divulgou gastos menores dos que os que foram constatados por relatório do Tribunal de Contas. É isso que queremos investigar'', disse.
Independente de conseguir aprovar a ampliação das investigações, Romanelli afirmou que pretende pedir a convocação do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para depor na CEI. ''Ele foi secretário do Planejamento no mandato anterior (de Requião) e como tal era o responsável direto pela formulação do orçamento, meio pelo qual se define para onde vão os recursos.''
A afirmação foi vista como provocação, já que o filho do ministro, o deputado estadual Reinhold Stephanes Junior (PMDB) ignorou a orientação de Romanelli e votou com a bancada de oposição. Com o voto dele, a criação da CEI foi aprovada por 20 votos a 19. Stephanes Junior disse não entender o objetivo da possível convocação de seu pai. ''O orçamento do Estado é uma coisa, o uso que cada secretaria faz do dinheiro é outra. O que a CEI quer saber é como o dinheiro foi gasto'', disse. Além disso, ele fez duras críticas à atitude do líder do governo. ''Politicamente ele é insignificante diante da dimensão política de Reinhold Stephanes e vai criar problemas dentro do próprio PMDB'', afirmou.

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