Rolagem das dívidas dos Estados seria bem-vinda
No encontro de ontem com FHC, Mário Covas acentuou ainda que a renegociação das dívidas dos governos estaduais, proposta pelos governadores dos partidos de oposição, seria bem-vinda. Ele lembrou que as receitas do seu Estado estão caindo e que se houver uma recessão no próximo ano, a situação ficará mais difícil. Covas explicou que os pagamentos da parcela de renegociação, em São Paulo, comprometem atualmente 11% das receitas líquidas. Até agora não miei. Enquanto eu puder pagar, tudo bem, afirmou o governador. Covas disse que os outros Estados deveriam seguir o exemplo de São Paulo que adotou como prática não gastar mais do que arrecada.
Mas o governador disse que compreende as realidades diferentes de cada Estado, que acabam provocando reações diversas em relação ao programa de ajuste. Na questão dos inativos, justificou, o governo de São Paulo gasta 20% de suas receitas líquidas com pagamento, enquanto que em outros Estados, a situação é muito pior.
Covas considera difícil cumprir o limite de 12%, para o pagamento das pensões e benefícios, conforme determina o programa de ajuste mas reconhece que é preciso encontrar outros meios para financiar a aposentadoria dos servidores.
O governador afirmou que, mesmo tendo sido reeleito, continua contra o princípio da reeleição. Eu prefiro aumentar o mandato para seis anos, do que a reeleição, afirmou. Na opinião de Covas, melhor seria a adoção do parlamentarismo como sistema de governo. A melhor solução de todas é a que não tem prazo fixo (de mandato), que é o parlamentarismo. Covas disse que discorda da teoria de que é necessário, antes, ter partidos fortes para somente depois existir o parlamentarismo. O parlamentarismo é quem faz os partidos mais fortes.
Na entrevista concedida à imprensa, após o almoço, o governador paulista afirmou também que a discussão do ajuste fiscal terá que levar em conta, além da crise financeira, a mensagem deixada pelos eleitores nos dois turnos da eleição. Segundo o governador, no primeiro turno os eleitores expressaram sua vontade de que querem a continuação da estabilidade não só financeira, como também política e democrática.
No segundo turno, na avaliação do governador, os eleitores teriam indicado que querem que o governo olhe mais para o lado social. Por isso, é preciso ter uma co-participação política maior na discussão, defendeu.
Mário Covas considera que os governadores de oposição estão fazendo o papel de reconhecimento do problema e da necessidade de uma solução. Não sou governador de oposição, mas converso com eles porque sua participação no debate é importante, acentuou.
O presidente Fernando Henrique Cardoso embarcou ontem às 16 horas para São Paulo, e seguiu de Congonhas diretamente para seu seu sítio em Ibiúna, no interior.





