Roendo as unhas
Os senadores Alvaro Dias (PDT) e Roberto Requião (PMDB) passam o dia ansiosos no aguardo da apuração dos votos, mas ao mesmo tempo preocupados com o que vai acontecer depois de divulgado o resultado. Ambos já foram derrotados em disputa semelhante e não pretendem abandonar a política tão cedo. Alvaro tem experiência em ficar sem mandato. Em 1994 foi derrotado pelo governador Jaime Lerner (PFL) e só conseguiu eleger-se senador em 1998, ano em que Requião também disputou sem sucesso o Palácio Iguaçu. O futuro político dos dois começa a ser decidido hoje. Alvaro tem, em tese, uma situação mais confortável. Se derrotado, volta mais quatro anos para o Senado. Seu mandato, de oito anos, termina apenas em 2006. Requião não goza da mesma tranquilidade, mas sua condição não é das piores. Seu mandato como senador acaba no final do ano com a diplomação dos eleitos. Tem a chance, no caso de uma derrota, de ser acomodado num governo de Luiz Inácio Lula da Silva, como ministro ou diretor de estatal de peso. Seu relacionamento com Lula é mais consistente se comparado com a política de boa vizinhança adotada por Alvaro com o PT nesta eleição. Portanto, nenhum eleitor desavisado deve comemorar antes da hora a derrota de Alvaro ou a derrota de Requião. Como tem acontecido nos últimos anos, os políticos do Paraná sempre acham brechas para uma acomodação.
Exércitos
Exércitos de cabos eleitorais movimentaram o centro de Curitiba ontem. O trabalho num dos comitês de Requião, pertinho da Folha, começou cedo. Por volta das 8 horas o vai-e-vem de carro de som e bandeirolas era intenso. Já os fiéis-escudeiros de Alvaro Dias se dividiam nas esquinas pedindo votos para quem passava. Apoiados pelos aliados do prefeito Cassio Taniguchi (PFL).
Oportunidade
Requião perdeu a chance de dar uma boa resposta para seu adversário, no debate da Globo de quinta, em vez de ter optado pela omissão. Quando questionado sobre a morte do líder sem terra Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha, poderia ter dito que o incidente foi devido ao despreparo da Polícia Militar que não soube conduzir uma desocupação. A mesma PM que desceu cavalos em cima dos professores em 1988, em pleno governo Alvaro.
Discursos
Lerner passa o final de semana pensando no que vai dizer para o seu sucessor na segunda-feira, dia fixado por ele para manter o primeiro contato com o eleito. O governador promete uma transição tranquila. Se Alvaro for o eleito, o discurso de Lerner será um. Se for Requião, outro com certeza. Ainda mais que novo governador vai querer saber detalhes dos reajustes salariais conceditos por este governo e que serão bancados pelo futuro.
Expectativa
A Justiça Eleitoral acredita que a apuração do resultado do segundo turno da eleição será bem mais rápida do que o processo do dia 6 de outubro. A previsão é de que até a meia-noite do domingo, o Paraná já saiba quem será seu novo governador. Isso não quer dizer, no entanto, que nesse horário já estejam apurados todos os votos dos paranaenses. O que se pretende é ter, mais ou menos nesse horário, um levantamento suficiente para antecipar o resultado das eleições.
Fé
Requião vai votar logo cedo no Colégio Estadual Júlia Vanderlei, em Curitiba. Espera ter mais sorte desta vez, já que no primeiro turno teve problemas na hora de votar. A urna eletrônica de sua seção pifou e, depois de uma hora, foi substituída, provocando filas no local.
Duas caras
Assessores do governo que querem manter-se no poder estão mudando de tom. A arrogância de alguns deu lugar a uma simpatia desconhecida nos últimos oito anos, tempo de duração dos mandatos de Lerner. Outros mantêm a coerência.
Homologação
A Assembléia Legislativa deve homologar o quanto antes a indicação do procurador Fernando Mello Guimarães para a sétima vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Seu nome, selecionado por Lerner de uma lista tríplice, já foi enviado para a apreciação dos deputados estaduais.
Rotina
Aliás, os deputados do Paraná voltam ao trabalho depois de quase um mês praticamente sem dar expediente por conta das eleições. Os não reeleitos já com a intenção de limpar as gavetas e os gabinetes.
Lobby
Tamanha a pressa do governo federal em anunciar a implantação do vale-pedágio que as entidades relacionadas ao setor de transporte vão pedir para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) colocar o pé no freio. A Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC) vai pedir que o prazo de implantação do vale-pedágio seja postergado, devido a sua ''inaplicabilidade e para o esclarecimento de várias dúvidas surgidas da regulamentação''. Desde sexta-feira, os embarcadores são obrigados a fornecer o benefício aos caminhoneiros, sob pena de multa.
Perguntinha
Alguém, em sã consciência, chega perto de Alvaro e Requião durante o dia hoje?
Leandro Donatti e sucursais
[email protected]





