O juiz da 2 Vara da Fazenda Pública de Londrina, Emil Tomás Gonçalves, condenou o vereador Rodrigo Gouvêa (PTC), candidato à reeleição, por improbidade administrativa. A sentença, com data do último dia 6, determina perda do cargo, suspensão dos direitos políticos por três anos, proibição de contratar com o poder público e multa civil de vinte vezes o valor da remuneração atual. Cabe recurso e os efeitos somente ocorrem após o trânsito em julgado.
Gouvêa, segundo a sentença, teria exigido dinheiro de um casal que o procurou na Câmara para alterar o zoneamento urbano de um terreno específico. A denúncia foi investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a ação de improbidade administrativa foi proposta pelos promotores Renato de Lima Castro e Leila Voltarelli, em 2009, primeiro ano de mandato de Gouvêa, que chegou a ser preso em decorrência de outras investigações do Ministério Público, também relativas a desvio de conduta no exercício do cargo.
O vereador teria dito ao casal que outros vereadores ''poderiam querer alguma coisa'', ou seja, dinheiro para aprovar o projeto de lei e alterar o zoneamento. Um assessor do vereador, que presenciou a conversa, confirmou as declarações do casal e disse ter entendido ''que o réu se referia a repasse de valores para algum vereador'', segundo consta da sentença. Ainda segundo o assessor, tanto ele quanto o casal ficaram ''pasmos'' diante da menção implícita ao pagamento de propina. O assessor também disse ao juiz que Gouvêa teria pedido para ''enrolar'' o casal, com o propósito de demonstrar a dificuldade na propositura do projeto.
Para o juiz, ''a prova produzida nos autos, confirma, portanto, a imputação de improbidade''. ''Mesmo não tendo o réu mencionado explicitamente a exigência de dinheiro ou valores, diante da reação das vítimas (que ''ficaram pasmos'' e disseram claramente ao réu que não podiam nem concordavam em pagar para que fosse aprovado o projeto de lei), o réu não se preocupou em esclarecer que não se tratava de propina, embora tenha tido oportunidades para isso'', escreveu o magistrado.
Procurado pela FOLHA, Rodrigo Gouvêa disse ontem que não se lembrava do caso. ''Nem estou lembrando disso. Não fui notificado da decisão. Vou para um comício agora e posso falar sobre isso na segunda-feira'', garantiu.
Na legislatura anterior da Câmara de Londrina, quase dois terços dos vereadores foram acusados de condutas semelhantes à que gerou a condenação de Gouvêa. Segundo o Ministério Público, havia um esquema de arrecadação de propina para aprovar projetos de lei, principalmente matérias relativas ao zoneamento urbano. Apenas um dos vereadores envolvidos no esquema se reelegeu.

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