Convênios assinados em maio de 1993 dividiram a responsabilidade pela obra entre a União e os Departamentos de Estradas e Rodagem (DER) de Minas e São Paulo. Os 540 quilômetros da nova Fernão Dias custaram mais de US$ 1 bilhão e contaram com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird) e Eximbank do Japão. Já deveria ter sido entregue. Só que faltam 7% da obra, incluindo a construção de acessos, passarelas e viadutos, duplicação de 35 quilômetros no sul de Minas e restauração de 40 quilômetros no trecho paulista.
O governo anterior, que inaugurou mais de um trecho duplicado da rodovia, atribuía o atraso a questões ambientais e liminares na Justiça. Itamar Franco acusava os tucanos de quererem capitalizar a autoria da obra. Lula promete investir R$ 30 milhões para terminar a duplicação, parada há mais de um ano. ''Há 12 anos, trafego aqui. Entra político e sai político e nada de ela ser concluída. Esquecem que quem trafega nas rodovias são eleitores'', reclama o caminhoneiro José Xavier de Souza, de 44 anos.
Na cidade de Paranaíba (MS), o prefeito Diogo Robalinho de Queirós (PMDB) está ansioso pela chegada de 4 de julho. É o dia em que vai inaugurar a ''Golden Gate Tupiniquim'', ou Ponte Porto Alencastro. Iniciada em 1994, a obra teve cinco paralisações e ainda faltam 4%. ''Dizem que Itamar (então governador) não se interessou pela sua conclusão'', afirma Queirós. Apesar de ser federal, a ponte deveria ser erguida pelo governo mineiro.
Adauto, cujo reduto eleitoral é o Triângulo Mineiro, prometeu a presença de Lula na inauguração, uma vez que foi a primeira obra a ter recursos liberados pela novo governo. Já custou mais de R$ 100 milhões e outros R$ 15 milhões foram liberados para levantar sua estrutura, conhecida como ponte estaiada. Quando pronta, será um importante ligação entre Minas, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Mercosul - No Rio Grande do Sul, a duplicação dos 348 quilômetros da BR-101, entre Osório (RS) e Palhoça (SC), é a que desperta maior clamor popular. Em janeiro, moradores de Tubarão colocaram 500 cruzes no trevo da rodovia para lembrar as mortes ocorridas no último ano. Só no lado catarinense ocorre uma morte a cada três dias. Mas o número é maior, porque a Polícia Rodoviária Federal só contabiliza os óbitos ocorridos no local do acidente.

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