Rodonorte reconhece pagamento de propina
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segunda-feira, 11 de março de 2019
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 
A força-tarefa da Lava Jato do MPF (Ministério Público Federal) firmou acordo de leniência de R$ 750 milhões com a Rodonorte, empresa do grupo CCR que administra concessões de quatro praças de pedágio no Paraná. Dentre os fatos, a concessionária reconheceu o pagamento de propinas milionárias a agentes públicos e políticos para modificações contratuais. No acordo divulgado na quarta-feira (6), a Rodonorte se comprometeu a reduzir o valor das tarifas em 30% nas praças que mantêm no Estado.
A medida ainda precisa ser homologada pela Justiça. Depois disso, a empresa terá 30 dias para implantar a redução da tarifa de pedágio, que deve se estender por pelo menos um ano, até somar R$ 350 milhões em abatimentos.
A concessionária ainda se comprometeu a realizar as obras previstas no contrato inicial com o governo estadual, mas que não foram executadas em função de aditivos contratuais. O valor dos investimentos deve alcançar R$ 365 milhões, conforme o plano de exploração original da rodovia.
No acordo, a concessionária admite o pagamento de propinas milionárias a integrantes do governo do Paraná - que é alvo da Operação Integração, desmembramento da Lava Jato. Segundo as investigações, empresas que administravam o pedágio pagavam percentuais de propina há cerca de 20 anos, em troca da supressão de obras previstas em contrato e de reajustes de tarifas em seu benefício.
"É um acordo de grande relevância para o interesse público para mudar o histórico de anarquia e impunidade nessa questão dos pedágios. É preciso dar uma resposta efetiva para a população em termos de devolução de tarifas e obras que foram suprimidas ao longo do tempo", disse à FOLHA o procurador da República, Diogo Castor de Mattos, integrante da força-tarefa. (Com Folhapress).


