Rodonorte espera autorização para reajuste
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sexta-feira, 02 de dezembro de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Transcorreu de maneira tranquila o primeiro dia de tarifas mais altas nas praças de pedágio paranaense. Ao contrário dos anos anteriores, quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizou manifestações impedindo a cobraça dos reajustes, as operações nas praças do Estado ontem foram normais. As concessionárias reajustaram seus preços por índices que variam de 7,12% a 18,52%.
Apenas uma das concessionárias optou por não efetuar os reajustes na data de ontem. A Rodonorte, que controla sete praças no Estado, preferiu esperar uma autorização formal do DER antes de aplicar o aumento. A empresa afirmou que irá entrar com uma ação cautelar na Justiça pedindo que o DER autorize o aumento.
A ''calmaria'' nas praças indica que o governo estadual está mudando sua estratégia em relação ao pedágio. Depois de tentar por todas as vias administrativas e judiciais possíveis a redução da tarifa, o governador parece ter se conformado com a impossibilidade de cumprir sua promessa na campanha de 2002, quando afirmou que o pedágio ''abaixava ou acabava'' durante seu mandato. A última cartada do governo foi tentar deslocar os confrontos judiciais da Justiça Federal para a Estadual, mas decisões reiteradas dos juízes estaduais estão impossibilitando a manobra. Na Justiça Federal, o governo também não vem tendo sucesso: ontem o juiz federal Friedmann Wendpap negou a liminar pretendida pelo DER, que suspendia o reajuste das tarifas da Ecovia. Wendpap entendeu que não há provas suficientes para conceder a tutela antecipada pretendida pelo Estado.
Para evitar o ônus político de disputar a reeleição sem ter cumprido sua promessa, Requião acena agora com a possibilidade de ''lavar as mãos''. O governador afirmou que pode abrir mão da delegação que o Estado recebeu do governo federal durante o governo Jaime Lerner (PSB) para fiscalizar e arrecadar verbas com a concessão das rodovias federais à iniciativa privada. Questionado se esse foi um dos assuntos de sua conversa com o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), que esteve quarta-feira em Curitiba, Requião negou: ''Devolver a delegação é um ato unilateral do Estado, e não precisamos pedir ao governo federal para realizá-lo'', afirmou.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que o governo federal não vê problemas na devolução das rodovias. Segundo ele, o contrato firmado entre o governo estadual, a União e as concessionárias prevê essa possibilidade.


